A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, ordenou uma inspeção urgente à deposição de lamas agrícolas no Alentejo após queixas persistentes de mau cheiro e pragas de moscas nos concelhos de Aljustrel, Castro Verde e Mértola. A decisão surge na sequência de um alerta conjunto da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDRA) do Alentejo e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que levantaram fortes suspeitas sobre a verdadeira composição dos fertilizantes que estão a ser espalhados nos campos da região de Beja.
O pedido formal à Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) foi feito a 26 de outubro, depois de a tutela ter solicitado esclarecimentos iniciais em setembro às autoridades locais e regionais, que já tinham recebido denúncias das autarquias afetadas. O principal objetivo desta intervenção, que conta com o estatuto de órgão de polícia criminal da IGAMAOT, é verificar se as matérias utilizadas correspondem efetivamente ao que está registado legalmente como composto fertilizante ou se contêm resíduos não autorizados que violam a legislação ambiental em vigor.
Esta nova fase de fiscalização vai analisar detalhadamente toda a cadeia do processo, desde a origem e o tipo de tratamento dado às lamas até às condições de transporte e ao método de aplicação nos solos alentejanos. A CCDRA do Alentejo vai trabalhar em articulação direta com os inspetores para fornecer todos os dados recolhidos no terreno. O Ministério do Ambiente sublinha que a proteção dos recursos naturais e do bem-estar das populações é uma prioridade absoluta, mas ressalva que qualquer conclusão definitiva só será extraída após os resultados das análises técnicas e o fecho do inquérito.
