Uma concentração de protesto organizada pela comissão de utentes vai decorrer esta sexta-feira, às 18:00, junto à Estação Ferroviária de Évora, como reação ao forte descontentamento gerado pela perda de qualidade do serviço nas linhas ferroviárias de Évora e do Alentejo. Segundo as declarações do porta-voz da comissão, Carlos Reforço, o quotidiano de quem viaja destas regiões para Lisboa por motivos de trabalho, saúde ou educação transformou-se num verdadeiro pesadelo devido à degradação constante dos comboios.
Os utentes criticam que a criação do Passe Ferroviário Verde, embora considerada uma medida positiva, acabou por aumentar a procura sem que existisse um reforço paralelo da oferta de carruagens. Atualmente, viajar no serviço Intercidades transformou-se numa lotaria, uma vez que quem não reservar o bilhete com pelo menos 24 horas de antecedência arrisca-se a ficar em terra, afetando mesmo os portadores do passe que apenas têm direito aos cerca de 170 lugares disponíveis nas duas carruagens de segunda classe.
Como estas composições não estão adaptadas para levar passageiros em pé, muitas pessoas têm sido impedidas de embarcar. O problema agrava-se pelo facto de o comboio de Évora recolher em Casa Branca os passageiros vindos de Beja, servindo um total de sete concelhos alentejanos. Adicionalmente, as antigas automotoras do troço entre Beja e Casa Branca sofrem avarias quase diárias, provocando constantes atrasos no Intercidades que chegam a ultrapassar os 45 minutos de espera.
Para exigir soluções imediatas e a requalificação da Linha do Alentejo, a comissão tem em curso uma petição pública que já reúne cerca de 5.000 assinaturas eletrónicas e em papel, tendo como meta atingir as 7.500 para avançar com a entrega do documento no Parlamento.
