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O meu Alentejo – Opinião de Martinho Murteira

O meu Alentejo não pode resignar-se a ser uma região de potencialidades por concretizar. Não pode continuar a viver da promessa daquilo que pode vir a ser. Tem de acreditar nas suas capacidades, assumir as suas ambições e construir o seu próprio futuro.

O meu Alentejo tem recursos naturais, património, conhecimento, capacidade produtiva e comunidades que constituem uma base sólida para alcançar um futuro de prosperidade.

Mas, no meu Alentejo, o maior património são as pessoas que aqui vivem, trabalham, criam e continuam a acreditar nesta região.

No meu Alentejo, o verdadeiro desenvolvimento não se mede apenas pelo crescimento económico. Mede-se pela qualidade de vida, pelo emprego digno, pela capacidade de fixar pessoas, pela valorização do território e pela preservação dos recursos naturais.

Quero um Alentejo que valorize a água. A água é um património estratégico, essencial à vida, à atividade económica e ao futuro da região. A sua utilização deve ser responsável e sustentável e temos a responsabilidade de preservar este recurso para as gerações futuras.

Quero um Alentejo que produza e transforme. Uma economia que não se limite à produção primária, que aposte na indústria, na agroindústria, na tecnologia e na inovação. Não basta produzir, é necessário criar valor na região.

Quero um Alentejo que proteja os seus recursos naturais. O desenvolvimento económico não pode fazer-se à custa dos ecossistemas, da qualidade dos solos ou da biodiversidade. Proteger o território é garantir o futuro.

Quero um Alentejo que ofereça oportunidades às novas gerações. Os jovens devem poder estudar, trabalhar, empreender, constituir família e construir o seu futuro na região. Sair do Alentejo deve ser uma escolha, não uma imposição por falta de oportunidades.

Quero um Alentejo que garanta direitos. Saúde, educação, habitação, cultura e mobilidade são condições fundamentais para a dignidade das pessoas e a coesão territorial.

Quero um Alentejo que valorize o conhecimento. Universidades, centros de investigação, empresas e instituições públicas devem trabalhar em conjunto, aproximando o conhecimento das necessidades do território e transformando-o em inovação e desenvolvimento.

Quero um Alentejo onde as populações participem nas decisões. Quem aqui vive, trabalha e investe deve ter voz nas escolhas que afetam os seus territórios e os seus recursos.

Quero um Alentejo que pense a longo prazo. As políticas de desenvolvimento devem ultrapassar os ciclos eleitorais e assentar numa visão estratégica, com continuidade, responsabilidade e capacidade de antecipar desafios.

Quero um Alentejo economicamente dinâmico, socialmente justo, ambientalmente sustentável e politicamente participado.

Quero um Alentejo onde seja possível viver, trabalhar, criar, investir e envelhecer com dignidade. Um Alentejo com identidade, ambição e confiança nas suas capacidades, que tenha voz e iniciativa para construir o seu próprio caminho.

Porque o futuro do meu Alentejo não deve ser decidido apenas em função dos recursos que possui ou da riqueza que produz. Deve ser pensado, acima de tudo, em função das pessoas que nele vivem e das gerações que nele viverão.

É este o meu Alentejo. Um Alentejo com identidade, ambição e futuro. Um Alentejo que não se resigna, acredita nas suas capacidades e assume a responsabilidade de construir o seu destino.

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