11 Abril 2020      16:28

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Política em tempo de vírus

É sabido que, em alturas de crise, o Ser Humano é capaz de ir mais além dos limites e fazer, dar algo mais que o habitual, para o melhor, e para o pior.

Se em alturas de crise se veem os grandes Homens, também é nestas alturas que algumas máscaras caem, que se veem os verdadeiros propósitos escondidos detrás de sorrisos e ações tipo “lobo escondido debaixo da ovelha”.

Em Portugal, a nível nacional – e ao contrário de outros países europeus, como Espanha, por exemplo – os principais líderes políticos nacionais têm, até ao momento, conseguido estar ao nível que a situação exige.

Quer António Costa, quer Rui Rio -com discursos claros e diretos -  têm sabido ocupar o seu espaço, o seu lugar, com sentido de Estado, sem tentar tirar lucros políticos da situação, dando aquilo que deveria ser o exemplo a os outros políticos ou aspirantes a tal.

Portugal têm sido notícia e exemplo pelo modo como reagiu à pandemia, mas também Costa e Rio têm tido o seu espaço na imprensa mundial: do “New York Times” ao “Le Monde”, de Espanha a Itália, Reino Unido e outros mais.

Afinal, muitos valores se levantam antes das opções partidárias e políticas; na saúde, na luta pela vida, não há partidos, não há espaço para politiquice. Há espaço e necessidade de grandes homens e grandes mulheres.

Em Portugal temos tido maus governos mas, verdade é, que também temos tidos muito más oposições. Com esta pandemia, se Costa assumiu o papel difícil de líder que a situação exigia, atuando atempadamente e pondo em prática o que a um país com as condicionantes nacionais é exigido, Rio não esteve pior e assumiu com prontidão o papel de Estadista também, de apoio, numa posição diferente, mas a fazer o necessário para o melhor fim de todos.  Às necessidades nacionais e às decisões que viessem a ser tomadas pelo Governo, disse Rio, na Assembleia da República, que “aquilo que se exige é união. Solidariedade entre todos, e sentido de responsabilidade em nome do interesse nacional” e já esta quinta, em entrevista à SIC, que “está a cooperar com o Governo em nome de Portugal”, porque o País “está em primeiro”.

Exemplo que outros deveriam seguir, como o presidente da Câmara de Ovar, um dos vice-presidentes de Rio na estrutura do PSD, e, quem sabe, a preparar caminho nesta área, ou o até o Presidente de Castro Daire, que desejava uma cerca sanitária para o seu concelho e dedicou muito dos seus dias em entrevistas aos órgão de comunicação social, talvez tivesse mais resultados se fizesse como os autarcas italianos fizeram (veja aqui), andando nas ruas a enviar os munícipes para casa, pois o problema era só esse. 

Nem todos têm estado à altura, nem se esperava. A ânsia de se aparecer, de se mostrar, de querer ser oposição, opção, poder, é tal que acabam a demonstrar precisamente o oposto: não são opção válida, afinal, quem se põe em bicos dos pés, desequilibra-se com mais facilidade.

Mas outros há, como Ventura, que querendo mais uns minutos de destaque (que Marcelo insiste em roubar a todos) e não vendo o vírus andar nas ruas, sem saber a quem disparar, se vira para dentro do próprio partido e dá uns tiros para o ar, na ânsia de que um qualquer vírus não lhe tire o pio e os argumentos de que se tem valido.

Escreveu Rui Tavares no Público que “Depois da pandemia, vai ser preciso reconstruir a política de outra forma.” Já vem tarde, digo eu.

Não, não vamos ficar todos bem. Mas podemos querer isso, desejar isso, fazer por isso.

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