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Alto Alentejo

PAULA LEBRE

“QUEM É QUEM” a rubrica de entrevista aos cabeças de lista que concorrem pelos Círculos Eleitorais de Portalegre, Évora e Beja nas Legislativas 2015.

TRIBUNA ALENTEJO (TA) – Por que é que se candidata à Assembleia da República?

Paula Lebre (PL) – Porque vivemos uma grande crise de cidadania e de consciência coletiva. O neoliberalismo desencadeou um ambiente de competição e de sucesso com base em valores materiais e financeiros. A iniciativa privada está em desequilíbrio com a distribuição da riqueza e o mérito só é reconhecido pelos objetivos sem considerar os percursos. Nota-se logo na educação com os quadros de honra perante alunos de tão diferentes realidades e o desinteresse dos jovens pelas causas políticas.

 

TA – Que diferenças existem entre esta candidatura e as restantes?

PL – Esta candidatura não privilegia o poder. A prioridade é representar verdadeiramente a voz dos cidadãos. A verdadeira democracia representativa e não um sentido de poder em que os eleitos se consideram superiores e com mais direitos ao mesmo tempo que se demitem de responsabilidades com imunidade. Há que repor o sentido de missão nos atos políticos

 

TA – No seu entender, quais são os pontos fortes do Alentejo?

PL – Ambiente, paisagem, produtos endógenos, património e tipicidade cultural

 

TA – E os fracos?

PL – Envelhecimento da população. Pouca dinâmica empresarial e cívica. Falta de promoção do empreendedorismo jovem. Rede de transportes desadequados com as necessidades e sem visão estratégica. Por exemplo a ligação de duas cidades reconhecidas pela UNESCO (Elvas e Évora com linha férrea desativada)

 

TA – Ainda se justifica utilizar os termos “esquerda” e “direita” em política?

PL – No mundo globalizado e do conhecimento nada pode ser limitado por conceitos. A realidade não é linha reta e por isso há decisões que tradicionalmente se consideram de esquerda e outras que poderão ser interpretadas como de direita. Desde que sejam decisões pelo bem comum, não vejo qualquer problema. Contudo, o que está convenientemente indefinido é o estado em que vivemos no qual se cobram impostos com justificação de serviços públicos e ao mesmo tempo se privatizarem esses serviços com apoio e financiados pelo próprio estado. Isto sim seja de direita, ou de esquerda, é uma fraude!

 

TA – Portugal virado para a Europa e para a União Europeia, ou não?

PL – Sim, mas não só. Somos mais Atlântico que continental. Estamos em contacto com outros continentes além da Europa. Por isso, deveremos dar tanta importância estratégica á ligação à europa como ao resto do mundo.

 

TA – Regionalização: sim ou não?

PL – Depende da proposta de regionalização. Depende dos critérios de distribuição dos orçamentos e das competências e número de cargos eleitos.

 

TA – Se pudesse fazer um só projeto pelo seu círculo eleitoral, qual seria?

PL – Interação geracional, Educação para empreendedorismo, cidadania e literacia financeira.

 

TA – Como vê o Alentejo em 2020?

PL – Vai depender dos políticos. Por isso a urgência da cidadania!

Gostaria que o Alentejo venha a ser o que os alentejanos desejam.

No caminho que estamos neste momento a seguir não auguro coisa muito melhor ao presente. Lamento imenso a minha resposta! 

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