A Galp cancelou oficialmente a construção do Parque Eólico das Cachenas no Alentejo Litoral, após meses de intensa contestação popular, autárquica e ambiental. A decisão foi transmitida pelos próprios promotores em reunião com a Câmara Municipal de Odemira, que avançou a informação publicamente. O projeto, denominado GalpH2Park, previa a instalação de 19 aerogeradores com uma potência total de 129,2 Megawatts espalhados por quatro freguesias dos concelhos de Odemira, Santiago do Cacém e Sines. A eletricidade produzida serviria para abastecer a futura unidade de produção e armazenamento de hidrogénio verde da Galp em Sines.
A infraestrutura enfrentava forte oposição local desde o início, tendo motivado uma petição online que reuniu 5.595 assinaturas contra a sua instalação. A Câmara de Odemira e a Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes lideraram os protestos institucionais, sustentados por pareceres da Agência Portuguesa do Ambiente. As autoridades locais argumentavam que o parque eólico não traria benefícios para a população, prejudicaria a paisagem natural e ameaçaria o turismo, que é o principal motor económico da região. Em comunicado, a autarquia de Odemira celebrou o desfecho como uma vitória histórica da vontade coletiva e da sociedade civil, garantindo a sustentabilidade ambiental e económica do território. Helder Guerreiro, o presidente daquela autarquia alentejana, tem razões para sorrir.
