O projeto de duplicação da Linha do Alentejo vai avançar à custa de um pesado impacto ecológico na região de Setúbal, traduzido no sacrifício de 2477 sobreiros nos municípios de Palmela, Montijo e Vendas Novas. A remoção destas árvores protegidas — que inclui 971 exemplares adultos e 1506 plantas jovens — foi validada pelo Governo através de um estatuto de imprescindível utilidade pública, necessário para viabilizar o corredor ferroviário entre Lisboa, Évora e Madrid.
O principal foco de tensão ambiental e política reside no plano de compensação delineado pela Infraestruturas de Portugal, que transfere a reflorestação para dezenas de quilómetros de distância do ecossistema destruído. Em vez de mitigar a perda de biodiversidade e o desgaste ambiental nos concelhos afetados, a plantação de novos povoamentos e o adensamento florestal serão executados em terrenos do Exército situados em Vila Nova da Barquinha e Tomar.
Esta deslocalização da pegada verde gera críticas sobre o empobrecimento do património natural do distrito de Setúbal, acendendo o debate sobre a eficácia ecológica destas medidas e expondo o choque direto entre a expansão de transportes sustentáveis e a preservação dos habitats locais.
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