O médico oncologista do Hospital do Espírito Santo de Évora, acusado de negligência pela família de um paciente que faleceu no serviço de urgência, pediu a demissão do cargo. A informação foi avançada pela Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), que anunciou também a instauração de um inquérito interno para investigar o caso. De acordo com a administração hospitalar, o profissional de saúde solicitou a cessação de funções, uma decisão que terá efeitos práticos a partir do próximo dia 30 de setembro. A instituição optou por não revelar as razões apresentadas pelo clínico, invocando o sigilo inerente à relação laboral entre ambas as partes.
O processo de averiguação interna teve início a 5 de agosto, na sequência de uma reclamação formal apresentada pelos familiares da vítima. O objetivo da ULSAC é esclarecer, de forma detalhada e isenta, todos os procedimentos e o tipo de assistência prestada ao homem de 64 anos, que sofria de um tumor na orofaringe e acabou por morrer no hospital a 15 de julho. A tutela sublinha que o processo decorre com a máxima rapidez possível, embora ainda não exista uma data fechada para a apresentação das conclusões finais, e assegura que não irá adiantar cenários até ao fecho das investigações. Paralelamente, a administração aproveitou para expressar as suas condolências e solidariedade à família enlutada.
André Coelho, filho do doente falecido, confirmou ter sido notificado da abertura deste inquérito e revelou que a família aguarda agora os resultados das perícias hospitalares e das investigações de organismos externos. Os familiares alegam que houve uma falha grave na prestação de cuidados, sustentando que o oncologista desvalorizou sintomas críticos, nomeadamente um quadro de febre e uma infeção ativa que o doente apresentava nos seus últimos dias de vida. A viúva, Célia Caleiro, partilha da mesma visão, lamentando que o marido não tenha tido o acompanhamento necessário na fase terminal, independentemente do desfecho da doença crónica.
O caso já ultrapassou o âmbito hospitalar e está a ser analisado por diversas instâncias oficiais. A família formalizou queixas junto do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, da Ordem dos Médicos, da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), da Provedoria de Justiça e do Ministério da Saúde. A Ordem dos Médicos já se encontra a avaliar a conduta do especialista, num processo onde constam acusações de omissão do dever de assistência e desumanização no tratamento, além de alegados erros de critério clínico face aos sintomas de emergência apresentados pelo doente.
