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Incêndios: Novo mapa por satélite coloca Alentejo sob vigilância acrescida

Uma nova ferramenta tecnológica desenvolvida pela plataforma portuguesa LandOS permite identificar, com detalhe ao nível da freguesia, as zonas de Portugal continental que apresentam maior suscetibilidade a incêndios rurais durante o verão de 2026. Através de imagens de satélite com resolução de 10 metros e de modelos baseados em inteligência artificial, o sistema introduz uma nova perspetiva sobre o risco de incêndio, complementando os mapas estruturais tradicionalmente utilizados pelas entidades oficiais.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a inovação reside na criação de um mapa de risco sazonal, capaz de incorporar fatores variáveis como a precipitação registada durante o inverno, a quantidade de vegetação existente, a acumulação de material combustível e o histórico recente de incêndios. A ferramenta permite assim uma análise mais ajustada às condições concretas de cada ano.

Segundo Pedro Rocha, da equipa de desenvolvimento da LandOS, o mapa foi desenvolvido em colaboração com uma empresa dos Países Baixos especializada em modelos matemáticos e inteligência artificial aplicados à prevenção de incêndios. O objetivo passa por identificar áreas onde o risco pode ser superior ao sugerido pelos mapas estruturais, que se baseiam sobretudo em características permanentes da paisagem, como relevo, declive, tipo de vegetação ou uso do solo.

O Alentejo surge como um dos casos mais relevantes destacados pelos responsáveis pela plataforma. Apesar de várias zonas da região apresentarem, historicamente, níveis moderados ou reduzidos de risco estrutural, as condições meteorológicas registadas durante o último inverno poderão alterar esse cenário.

A precipitação abundante favoreceu o crescimento significativo da vegetação espontânea em muitas áreas alentejanas. Com a chegada das temperaturas elevadas e da seca característica do verão, essa vegetação transforma-se em combustível disponível, aumentando a vulnerabilidade ao fogo.

Segundo Pedro Rocha, esta realidade faz com que algumas zonas do Alentejo apareçam classificadas com risco elevado no mapa sazonal, apesar de manterem classificações inferiores nos mapas estruturais tradicionais. O mesmo fenómeno foi igualmente identificado em partes do interior algarvio.

Os promotores sublinham que o novo mapa não substitui os sistemas de previsão diária de risco de incêndio utilizados pelas autoridades. Trata-se de uma ferramenta de planeamento destinada a apoiar a prevenção, permitindo identificar antecipadamente as áreas onde poderão ser necessárias ações prioritárias de limpeza e gestão de combustível.

De acordo com os dados disponibilizados pela plataforma, cerca de um terço das freguesias portuguesas apresentam atualmente sinais elevados de acumulação de vegetação e combustível. A informação poderá ser utilizada por proprietários, autarquias e entidades responsáveis pela proteção civil para orientar intervenções antes do período mais crítico da época de incêndios.

A disponibilização desta ferramenta ocorre numa altura em que Portugal se prepara para mais uma campanha de incêndios rurais, num contexto em que a prevenção continua a ser apontada como um dos fatores determinantes para reduzir a dimensão e os impactos dos fogos.

Ao combinar dados de satélite, inteligência artificial e informação territorial atualizada, a plataforma pretende contribuir para uma gestão mais eficiente do território, ajudando a identificar situações de risco que os modelos tradicionais nem sempre conseguem refletir. No caso do Alentejo, a conjugação entre um inverno particularmente húmido e a chegada do verão poderá tornar essencial uma vigilância reforçada em várias zonas da região.

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