Tribuna Alentejo
Negócios e Empresas

Governo antecipa 90 milhões para Sines, Pego e Matosinhos

O Governo vai antecipar 90 milhões de euros de fundos europeus previstos para 2022 para as regiões afetadas pelo encerramento da refinaria de Matosinhos e das centrais termoelétricas a carvão do Pego e Sines, disse a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

Em causa estão verbas do Fundo para a Transição Justa (FTJ), criado pela União Europeia para responder ao impacto da reconversão energética, e que prevê para Portugal 242 milhões de euros, revelou à Lusa a ministra.

Deste valor, 90 milhões vão ser antecipados de imediato, recorrendo a verbas do Orçamento do Estado, segundo uma portaria publicada na segunda-feira pelo Governo.

Ana Abrunhosa explicou que serão antecipados 30 milhões de euros por cada uma das regiões que serão beneficiadas pelo FTJ: Área Metropolitana do Porto, por causa do encerramento da refinaria de Matosinhos, em abril passado; Médio Tejo, na Região Centro, onde fecha hoje a central termoelétrica do Pego, no concelho de Abrantes, que funcionava a carvão; e Alentejo Litoral, devido ao fecho da central termoelétrica a carvão de Sines.

No total, estão previstos, no âmbito deste fundo, cujas verbas deverão ser aprovadas por Bruxelas no primeiro trimestre de 2022, 45 milhões de euros para o Médio Tejo/Pego, 60 milhões para o Norte/Matosinhos e 74 milhões para o Alentejo Litoral/Sines. Para o Litoral Centro existe mais um pacote de 45 milhões de euros previsto para a região de Aveiro, Coimbra e Leiria, por causa das “indústrias da cerâmica e do vidro, que também precisam de fazer a transição energética”, explicou Ana Abrunhosa.

A antecipação dos fundos visa apoiar os trabalhadores mais diretamente afetados pelo encerramento e reconversão das unidades do Pego, Matosinhos e Sines, mas também estimular o investimento e a diversificação económica nos territórios onde estão instaladas, disse a ministra da Coesão Territorial, que estará hoje com o primeiro-ministro, António Costa, e o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, em Abrantes para apresentar os objetivos e os termos desta antecipação de verbas no caso do Médio Tejo.

“Esta antecipação do Fundo para a Transição Justa tem dois objetivos. O primeiro é apoiar os trabalhadores que estão afetados. Há uma parte dos trabalhadores da Central do Pego que vão ficar a desmantelar a unidade, mas haverá uma outra parte que irá para formação e a ideia aqui é fazermos formação profissional à medida, fazer a reconversão profissional dos trabalhadores, apoiar até empresas que queiram contratar estes trabalhadores, apoiar trabalhadores que queiram criar o seu próprio negócio”, disse Ana Abrunhosa.

Depois, para concretizar um segundo objetivo, será publicado hoje, terça-feira, ainda segundo a ministra da Coesão Territorial, um aviso de concurso que “permite às empresas apresentar propostas de investimento para este território do Médio Tejo” suscetíveis de serem apoiadas com verbas do FTJ: “Projetos que simultaneamente contribuam para absorver estes trabalhadores que agora vão ser libertados pelo encerramento da Central do Pego” e que “correspondam a investimento em áreas como a mobilidade sustentável, energias renováveis, economia circular, bioeconomia ou outras tecnologias limpas”.

Nas outras regiões beneficiárias deste fundo, manter-se-á a canalização de verbas para formação e reconversão profissional de trabalhadores e “o apoio à diversificação da base económica”, afirmou a ministra.

“Depois, consoante a especificidade dos territórios, pode haver outros projetos que venhamos a apoiar, mas aí já com o Fundo para a Transição Justa aprovado [pela Comissão Europeia]”, acrescentou, dizendo que “o destino e a forma de atribuição dos fundos vai depender da identificação de necessidades de região para região” e que o Governo tem estado a trabalhar com as câmaras de Abrantes, Matosinhos e Sines, com a Área Metropolitana do Porto e com as comunidades intermunicipais do Médio Tejo e do Alentejo Litoral.

A ministra realçou que o Governo antecipa estas verbas com “a segurança de estar totalmente em linha com aquilo que a Comissão Europeia deseja para o Fundo para a Transição Justa”.

O FTJ está contemplado nos Programas Operacionais Regionais Portugal 2030, que têm de ser submetidos à Comissão Europeia até final do ano e depois “serão negociados em janeiro/fevereiro”, explicou Ana Abrunhosa.

 

Fotografia de portugal.gov.pt

Artigos relacionados

TEKEVER é a 3ª startup de defesa mais valiosa da Europa com avaliação de 6,4 mil milhões de dólares

Redação Alentejo

Porto de Sines quer ter uma Zona Franca com limitação de impostos para ser mais competitivo a atrair empresas

Redação Alentejo

Porto de Sines é uma das mais importantes portas de entrada e saída de mercadorias para a Europa, diz novo estudo da “Prime Mile”

Redação Alentejo

EDIA contrai novo empréstimo de 5,27 milhões de euros para pagar energia

Redação Alentejo

Alentejo coloca 7 iguarias da charcutaria tradicional nas melhores 20 portuguesas, segundo a prestigiada listagem do TasteAtlas

Redação Alentejo

Beja: projeto para “maior centro de cultivo de canábis da Europa” esfumou-se e deixou buraco de 8,5 milhões de euros

Redação Alentejo