Castro Verde recebe de 4 a 6 de setembro mais uma edição do Festival Castro Mineiro, iniciativa que procura valorizar a identidade e a memória de um território marcado pela actividade mineira, pelo património arqueológico, pela paisagem do Campo Branco e pelo cante alentejano. A programação combina concertos, conferências, visitas, gastronomia, vinhos e propostas para diferentes públicos. Um dos eixos centrais é o património arqueológico associado a Neves-Corvo, com uma conferência no Museu da Lucerna sobre os vestígios identificados naquele território, seguida da inauguração de uma exposição fotográfica no Parque da Liberdade — dando visibilidade a uma relação com a exploração mineira que remonta a períodos muito anteriores à actividade industrial contemporânea.
A ligação à actividade mineira actual estará presente através do Dia Aberto “Raízes na Terra. Olhos no Futuro”, promovido pela BOLIDEN — Somincor em colaboração com o Município de Castro Verde, marcado para 5 de setembro. A iniciativa inclui um passeio de comboio turístico pelo Couto Mineiro, actividades educativas e momentos dedicados à comunidade, com participação gratuita mediante inscrição. O cante alentejano — classificado pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2014 — estará representado por grupos corais de Castro Verde, Mértola e Almodôvar, estabelecendo uma ligação entre a identidade mineira e rural do território e uma das manifestações culturais mais reconhecidas do Baixo Alentejo. Vinhos e produtos locais, gastronomia, demonstrações de resgate mineiro e propostas para famílias completam o programa.
Castro Verde apresenta um conjunto patrimonial e natural de rara riqueza: o concelho integra a Reserva da Biosfera de Castro Verde, reconhecida pela UNESCO, e a sua Zona de Protecção Especial acolhe cerca de 80% da população portuguesa de abetarda, tornando o território num dos principais destinos nacionais para o birdwatching. O Museu da Lucerna, em Santa Bárbara dos Padrões, conserva uma colecção de lucernas romanas dos séculos I a III, e o Silabário da Espanca — inscrição atribuída aos séculos V ou IV a.C. relacionada com a Escrita do Sudoeste — é um dos testemunhos mais antigos da escrita conhecidos no território português. O Festival Castro Mineiro é, precisamente, a expressão da ambição do concelho em transformar toda esta riqueza numa narrativa territorial coerente, onde a mineração contemporânea convive com a memória arqueológica, a paisagem agrícola e a conservação da natureza.
