A Fundação Francisco Manuel dos Santos e a RTP coproduzem o documentário “Onde Está a Água?”, um retrato sobre os recursos hídricos nacionais que coloca o Alentejo no centro da análise, como região onde as tensões hídricas são mais agudas do país.
O documentário viaja pelo território nacional — das serras do Norte ao litoral alentejano, dos campos de regadio às ribeiras do interior — para cartografar a pressão crescente sobre os recursos hídricos, num contexto de intensificação dos períodos de seca e de alterações profundas no regime de chuvas. Dois exemplos do Alentejo dominam o retrato: a expansão do olival de regadio nas planícies alentejanas, que já consome cerca de 95% da água distribuída pelo Alqueva em usos privados, com o olival a ocupar aproximadamente 80% da área beneficiada; e a proliferação de estufas na costa alentejana, em municípios como Odemira e Grândola, que colocam pressões crescentes sobre os aquíferos costeiros.
O Guadiana apresenta um dos Índices de Escassez mais elevados de todas as regiões hidrográficas portuguesas, com menos de um terço das suas massas de água a atingir bom estado ecológico e uma projeção de agravamento até 2070 de +33% — a mais elevada do país.
A premissa central do documentário é direta: não há mais água do que a existente no planeta, e garantir que chega para todos é descrito como “o principal desafio do nosso século”.
