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Cultura

DESTRUIÇÃO DE PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO EM BEJA GERA PETIÇÃO NACIONAL

As sucessivas denúncias de destruição de património arqueológico em Beja levaram esta semana um grupo de arqueólogos e académicos nacionais a lançar uma petição pública pedindo a intervenção urgente do governo. Com o nome "Pela Defesa do Património Arqueológico Nacional", a petição que é subscrita entre outros pelo presidente do Conselho Intermunicipal dos Museus (ICOM) e ex-diretor do Museu Nacional de Arqueologia, pede intervenção do Governo para o estabelecimento de um "Plano Arqueológico Nacional" e medidas de combate à venda ilegal de património nacional e de salvaguarda dos locais arqueológicos que têm sucessivamente vindos a ser destruídos pela agricultura intensiva.

Os signatários pedem ainda a obrigatoriedade de contratação de arqueólogos pelas Câmaras Municipais, para acompanharem todos os trabalhos que envolvam remoção de terras em locais assinalados como arqueológicos e uma discussão profunda no Parlamento acerca desta temática, reconhecendo que nem Câmaras nem a Direcção Geral do Património Cultural têm meios humanos e financeiros capazes de lidar com o problema.

Estávamos no início de outubro do ano passado quando vieram a público denúncias de destruição de património arqueológico em larga escala pela empresa espanhola De Prado, na sequência trabalhos de preparação dos terrenos em Beja para plantio de amendoal. Segundo a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, as movimentações de terras feitas por esta empresa destruíram cerca de "duas dezenas de sítios arqueológicos que estão devidamente assinalados no PDM de Beja".

Ao todo e numa área com cerca de 3 mil hectares onde será plantado amendoal, situada a seis quilómetros da capital do Baixo Alentejo, mesmo junto ao IP8, foram destruídos sítios arqueológicos que pertencem ao calcolítico, Idade do Ferro, período romano, medieval e moderno, devido ao recurso de maquinaria pesada para os trabalhos de ripagem dos terrenos. E apesar dos pedidos de suspensão das movimentações de terras por parte da Direcção Regional de Cultura do Alentejo, nada impediu que as mesmas continuassem e que originaram mesmo uma queixa no Ministério Público.

Mas há mais. Segundo a Direcção Regional de Cultura do Alentejo as culturas de amendoal e olival estão a provocar "afetações ou destruições de sítios arqueológicos ocorridas na Herdade da Torre de S. Brissos e no sítio da Salvada, no concelho de Beja, no Monte de S. Bartolomeu, Alvito, no Monte da Chaminé, Ferreira do Alentejo, na Anta do Zambujal, Vidigueira e no Monte da Contenda, Arronches" entre outros.

Para travar esta destruição irreversível a Direcção Regional de Cultura está a operacionalizar uma estrutura de comunicação e cooperação que articula GNR, Ministério Público de Beja, Ministério da Agricultura, através da sua Direção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo, e que procura "assegurar um maior controlo prévio de ações lesivas para o património arqueológico e possibilitar a intervenção, em tempo útil, por parte das entidades competentes."

Imagem de capa de peça do povoado dos Perdigões, ocupado entre os anos 4000 e 3000 a.C.

 

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