Os caroços de azeitona vão poder ser utilizados como biocombustível, tal como já acontece em Espanha. Até agora, eram considerados resíduos, estatuto que não permitia a valorização energética, escreve o Azul, do jornal Público.
Segundo a mesma fonte, o ministério do Ambiente e da Energia já autorizou a alteração da classificação do caroço de azeitona de “resíduo” para “subproduto” em Portugal, o que possibilita que estes despojos da indústria do azeite passem a ter outros fins, como o aquecimento.
O bagaço da azeitona é agora elegível para valorização como biomassa, isto porque a extração dos caroços é feita através de um processo totalmente mecânico, que não envolve a adição de quaisquer químicos. Esta alteração da classificação do caroço de azeitona surge “numa lógica de promoção da economia circular e de promover ainda uma maior utilização de energias renováveis, nomeadamente da biomassa”, revelava, em declarações ao Azul, a ministra Maria da Graça Carvalho, no final de 2024, tendo ainda acrescentado que não considerar o caroço de azeitona como subproduto significava "uma perda de competitividade para o nosso país e, principalmente, para a região do Baixo Alentejo”.
A região do Alentejo é responsável por aproximadamente 80% da produção de azeite a nível nacional, o que significa que tem, por isso, um grande potencial para o reaproveitamento dos caroços, colocando-os na cadeia de valor. Assim, o que antes era encarado como resíduo, poderá agora ser fonte de receita, à semelhança do que já acontece em Espanha, país onde a capacidade calorífera da azeitona é utilizada para aquecimento.
No ano de 2023, já os então Ministérios da Economia e do Mar, Ambiente e Ação Climática e Agricultura e Alimentação tinham formado um grupo de trabalho com vista à revisão da legislação acerca dos subprodutos da indústria do azeite, tal como se explica no despacho 3123/2023.
O caroço de azeitona tem sido uma hipótese considerada para diversas utilizações, como o recheio de almofadas anatómicas ou o uso em argamassas porosas à base de cimento e bioplásticos, escreve a mesma fonte, adiantando ainda que o Centro de Tecnologia e Inovação Português (PIEP), na cidade de Guimarães, está a recorrer a este biomaterial para produzir formas para sapatos.
Os investigadores do centro que fazem parte deste projeto, chamado “Olive Pit”, revelam que o novo biopolímero já tem 25% de caroço de azeitona incorporado, sendo os objetivos agora alcançar os 30% e assegurar que a compostagem deste novo biomaterial aconteça num período de 60 dias.
Num outro trabalho, publicado recentemente na revista científica Molecules, escreve-se que “os caroços de azeitona são ricos em compostos bioativos e podem ser processados em farinhas”. Os resultados obtidos neste estudo “ressaltam a riqueza fenólica” destas farinhas, “corroborando o seu uso como ingredientes funcionais e reforçando os princípios de sustentabilidade e economia circular no setor agroalimentar”, cita ainda o Azul, do Público.
Em estudo esteve também já o desenvolvimento de carvão ativado à base de resíduos de caroço de azeitona para a remoção de produtos farmacêuticos das águas residuais.
Fotografia de 24.sapo.pt
