A precariedade do serviço ferroviário na Linha do Alentejo atingiu um ponto de rotura em abril de 2026, deixando a cidade de Beja mergulhada num isolamento em matéria de mobilidade ferroviária sem precedentes.
A ligação vital entre Beja e Casa Branca, que serve de ponte para os eixos de Évora e Lisboa, depende atualmente de apenas três automotoras a diesel da série 450. Este material circulante, visivelmente obsoleto, tem registado avarias sistemáticas que obrigam à supressão constante de comboios, forçando os passageiros a transbordos para autocarros de substituição que triplicam o tempo de viagem e impossibilitam o cumprimento de compromissos profissionais ou académicos.
O impacto quotidiano desta crise reflete-se num incumprimento crónico de horários, gerando uma onda de contestação social na região. A falta de fiabilidade das composições da CP impede que os utilizadores planeiem as suas deslocações com segurança, uma vez que as ligações rápidas em Casa Branca são frequentemente perdidas devido aos atrasos acumulados no troço diesel. Perante este cenário, a comunidade local e associações de utentes intensificaram a pressão pública, lançando petições que exigem o fim do que classificam como um “abandono ferroviário” estrutural do Baixo Alentejo por parte da administração central.
No plano institucional, o presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, assumiu um papel ativo na mediação junto do Ministério das Infraestruturas. O autarca tem defendido junto do Governo a alocação prioritária de, pelo menos, duas das novas automotoras bimodo fabricadas pela Stadler para reforçar a operação no distrito.
Estes novos comboios, que permitem circular tanto em modo elétrico como a diesel, são vistos como a única solução imediata capaz de estabilizar o serviço enquanto o projeto de eletrificação do troço Casa Branca-Beja não sai do papel, uma obra considerada estratégica mas que ainda enfrenta calendários de execução distantes.
A estratégia do município passa por garantir que o Baixo Alentejo não seja preterido na distribuição do novo material circulante que está a chegar ao país, num momento em que a ferrovia e a conclusão da A26 são as bandeiras principais do desenvolvimento regional. Para o executivo camarário, a modernização da Linha do Alentejo é uma questão de coesão territorial, sendo urgente que o Ministério das Infraestruturas passe das garantias teóricas à colocação efetiva de meios que devolvam a dignidade ao transporte ferroviário e ponham fim ao recurso sistemático ao transporte rodoviário de substituição.
