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Barranquenho vai ter Centro de Interpretação

O “barranquenho” terá agora mais garantias de ser preservado com a criação do Centro de Interpretação.

Iniciativa da autarquia, o centro vai nascer num edifício “senhorial” a par da Biblioteca Municipal e há já uma equipa de especialistas – que inclui a Universidade de Évora e de uma Universidade de Madrid – a trabalhar para a criação  deste museu.

O barranquenho resulta do contacto entre o português meridional, ou alentejano com as variedades meridionais andaluzas e estremenhas, em Espanha.

A origem desta "fala" provavelmente esteja relacionada com os assentamentos na Idade Média, em torno ao Castelo de Noudar, de súbditos do reino de Castela, em terras hoje portuguesas. A permanência desta fala mista talvez se deva ao contínuo contacto mantido entre a vila de Barrancos e as populações vizinhas espanholas – relações de tipo social, cultural e económico – e ao isolamento que o município tem sofrido ao longo dos séculos.

Na Vila de Barrancos é possível ouvir três sistemas linguísticos diferentes: o português – variedade alentejana; o espanhol – variedade andaluza ou extremenha; e o barranquenho propriamente dito. A presença ou ausência dos traços que conformam a fala barranquenha, maioritária na Vila, estão relacionados com o grau de conhecimento do português standard. Porém, a fala espanhola é utilizada principalmente entre pessoas da primeira e da segunda geração e também na literatura oral tradicional (canções dos “quintos”).

A importância do Barranquenho é tão relevante do ponto de vista cultural e histórico para aquela comunidade que  foi classificado como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal, enquanto variedade falada pelo Povo de Barrancos desde tempos imemoriais.

Há poucas semanas, os deputados eleitos pelo PS no Baixo Alentejo defenderam a criação de um projeto-Lei para a proteção e valorização do barranquenho que consideram ser uma "expressão da diversidade cultural de Portugal, marca da identidade de uma comunidade".

 

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