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Banhos interditos nas Azenhas do Guadiana em Mértola após dois afogamentos mortais

A Capitania do Porto de Vila Real de Santo António emitiu edital a interditar a prática balnear e de natação nas Azenhas do Guadiana, em Mértola, com entrada em vigor esta sexta-feira, 31 de julho. A decisão, assinada pelo capitão-tenente Sérgio Pardal, foi tomada na sequência de dois afogamentos mortais ocorridos no mesmo local com menos de um mês de intervalo: um cidadão brasileiro de 37 anos perdeu a vida a 7 de junho, e um jovem português de 16 anos morreu a 4 de julho. O desrespeito pela interdição constitui contraordenação punível com coima entre 400 e 30.000 euros.

O comandante do porto explicou que a decisão resulta de o local ser “uma zona muito perigosa” para a prática balnear, sem vigilância e com características físicas enganadoras: a aparente tranquilidade das águas dissimula correntes fortes e traiçoeiras e um fundo irregular, onde uma pessoa pode ter pé num momento e perder o apoio subitamente no instante seguinte. É precisamente essa ilusão de segurança — reforçada pela beleza do cenário das antigas estruturas de moagem sobre o Guadiana — que torna o local particularmente perigoso para banhistas que desconhecem o rio. As restantes actividades permanecem permitidas, nomeadamente a pesca e a prática de canoagem, sendo que as autoridades recomendam a utilização da praia fluvial da Mina de São Domingos, também no concelho de Mértola, para quem queira ir a banhos na região.

A interdição agora formalizada não é uma medida inédita — é o reconhecimento tardio de um padrão de tragédias que se repete há anos nas mesmas águas. Desde 2007 são já várias as vítimas mortais registadas nas Azenhas do Guadiana, local muito procurado por residentes e visitantes mas nunca homologado para a prática balnear: em 2022 um homem de 29 anos desapareceu nas águas e foi recuperado sem vida por mergulhadores; em 2023 uma jovem de 22 anos morreu depois de ter salvo uma amiga. A sinalização e os avisos informais não foram suficientes para travar as mortes que se repetiram ano após ano, e a proibição agora em vigor transforma o que era uma questão de bom senso numa obrigação legal.

 

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