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Alentejo entre os novos destinos do imobiliário de luxo

No ano passado, o mercado imobiliário de luxo teve um impacto económico de 5,48 mil milhões de euros em produção nacional, valor para o qual contribuiu a crescente popularidade de novas regiões, nomeadamente Setúbal, Beja e Madeira, escreve o jornal ECO, acrescentando que, apesar do surgimento de diversos desafios económicos globais, este mercado continua a mostrar resiliência e capacidade de crescimento. 

Segundo a mesma fonte, num estudo elaborado pela Nova SBE e promovido pela Porta da Frente Christie’s, dado a conhecer esta semana, é revelado que a procura por imóveis de alta gama duplicou entre os anos de 2021 e 2023, embora tenha estabilizado “devido a fatores como aumento das taxas de juro e fim de benefícios fiscais”, com os preços a aumentarem, em média, 23% nominalmente, “mas apenas 3% em termos reais, devido à inflação”.

Para 2025, a tendência continua a ser de subida, uma vez que os autores do “Realty Premium Market” estimam que os preços dos imóveis continuem a subir este ano, devido a diversos fatores, como “uma procura consistentemente superior à oferta”, a expectativa de melhores condições económicas e o foco em localizações consideradas premium.

Este estudo revela também que a oferta de imóveis de luxo se encontra concentrada “em Faro, Lisboa e Porto” e que esta concentração deverá manter-se este ano, o que reforça, segundo os autores, o caráter exclusivo deste segmento.

Ainda assim, os autores sublinham que a oferta de imóveis de luxo em regiões menos tradicionais, como Setúbal, Beja e Madeira, também está a aumentar, especialmente no que respeita a apartamentos T2.

“Os fogos em oferta mais do que duplicaram nos distritos de Setúbal e Beja, e quase duplicaram na Região Autónoma da Madeira”, pode ler-se no estudo, citado pelo jornal, com esta diversificação geográfica a representar novas opções para compradores e investidores.

Os dados divulgados por João B. Duarte, Mário Gonçalves e Vinícius Vale revelam que o segmento do imobiliário de luxo tem já um papel importante na economia nacional, estimando-se que, só em 2024, tenha tido um impacto total de 5,48 mil milhões de euros em produção nacional e 2,5 mil milhões de euros para o Valor Acrescentado Bruto (VAB) de Portugal. Este segmento terá também, segundo os investigadores, contribuído para a criação de 77.089 empregos equivalentes a horário completo.

Estes dados demonstram a dimensão e a relevância deste setor para a economia do país, destacando também que o segmento da gama alta, para além de gerar riqueza direta, tem ainda um efeito multiplicador importante em diversos setores económicos.

Para 2025, as perspetivas continuam a ser muito animadoras, com o estudo a indicar que “é expectável que a inflação na Europa abrande”, o que conduzirá “a uma moderação da política monetária e, consequentemente, uma melhoria das condições de financiamento para novos investimentos”, uma tendência que poderá promover novos projetos imobiliários de luxo no país.

Neste relatório, um dos fatores de destaque é a resiliência do mercado de luxo face aos aumentos nos custos de produção, apontando-se que este mercado “tende a ser menos impactado por estes fatores devido à sua segmentação e procura resiliente e menor sensibilidade ao fator preço”.

Ainda assim, são também referidos no estudo diversos riscos potenciais, como “a volatilidade económica, que poderá ser causada por conflitos internacionais, crises energéticas, entre outros”, podendo estes riscos ter um impacto negativo na confiança dos investidores e provocar uma desaceleração do crescimento do setor.

Outro dos destaques vai para o fim dos “vistos gold” e do regime de Residente Não Habitual, o que exige o desenvolvimento de “estratégias para mitigar a redução de procura por determinados perfis de compradores estrangeiros”.

Por outro lado, uma vantagem para o setor é o Simplex Urbanístico, que “já terá começado a produzir efeitos, nomeadamente na agilização de obtenção das licenças de habitação e na aceitação de comunicações prévias em substituição das licenças de construção”, dizem ainda, citados pelo ECO, os investigadores, avançando também que estas medidas podem acelerar o desenvolvimento de projetos e eventualmente ter uma influência nos preços dos imóveis.

Embora existam vários desafios pela frente, existem também perspetivas promissoras para o mercado imobiliário residencial de luxo no país, com o setor a demonstrar capacidade de adaptação e resiliência, tirando benefício de diversos aspetos, nomeadamente da estabilidade política, do estilo de vida atrativo e da cada vez maior relevância da sustentabilidade.

O mercado de alta gama continua, tendo em conta o seu impacto económico e a procura consistente, a apresentar-se como um pilar relevante da economia portuguesa, com as tendências a indicarem um crescimento sustentado, embora moderado, sobretudo nas cidades de Lisboa e do Porto, e ainda a possibilidade de expansão para outras áreas geográficas do país.  

 

Fotografia de jornaldenegocios.pt

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