Um grupo de investidores alemães que, em 2023, comprou a desativada mina alentejana de São Domingos, em Mértola, pretende implementar um projeto para construir uma central solar e outra eólica, e um projeto de hidrogénio verde, num custo total de 500 milhões de euros.
Segundo o Jornal Económico, os promotores afirmam que se trata de um projeto para o “longo prazo” e com “várias fases”, e que não estão interessados na exploração mineira. Para já, o objetivo é avançar com 100 MW de energia solar.
Em declarações ao jornal, Hubertus Prinz zu Hohenlohe-Langenburg, um dos investidores, revela que “somos três investidores alemães. Comprámos as ações da empresa La Sabina Mineira Turística no ano passado. Eu tinha laços porque o meu pai investiu nesta empresa há 30 anos”.
“A nossa abordagem é produzir energia renovável, porque a localização é perfeita para produzir a eletricidade a partir de solar fotovoltaica ou eólica, e também para produzir hidrogénio verde para o mercado português”, acrescentou este advogado alemão, especializado em energia e que tem investido no setor.
De acordo com o responsável, “queremos também recultivar a terra que foi usada antes como mina, embora algumas partes ainda estejam contaminadas e precisem de ser tratadas. Somos um projeto ecológico, de longo prazo, com várias etapas. Vamos começar numa pequena escala e tentar crescer para atingir os objetivos”.
A empresa tem estado a colaborar com a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), companhia pública responsável pela descontaminação da mina, com um custo de 20 milhões de euros. Cumpridas duas fases, faltam agora quatro fases para a descontaminação ficar concluída.
Para já, na primeira fase o objetivo é avançar com um projeto de 100 MW de energia solar, com os promotores a estimarem um custo de 28 milhões de euros para este projeto, que está a ser licenciado, tendo já submetido o projeto à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).
Para financiar o projeto, contam com capitais próprios, financiamento bancário e fundos europeus. Só depois é que avançam para o projeto eólico com 80 MW, na primeira fase. No hidrogénio verde, o objetivo é ter um eletrolisador inicial com 7,5 MW de capacidade de eletrólise.
Com dois mil hectares de terra, os promotores já foram abordados por outros promotores, com o objetivo de arrendar terra para a instalação de projetos de energia renovável, mas esclarecem que o objetivo neste momento é avançarem com os seus próprios projetos.
O projeto também visa a criação de armazenamento, através de bombagem hidroelétrica. “Existem possibilidades na mina de ter um reservatório de água e usar isto para bombar hídrica. À noite, quando não há sol, ou quando não há vento, bomba-se a água para produzir energia para o eletrolisador”, afirmou, por sua vez, Jurgen Magnus, outro dos investidores alemães, e diretor-geral do projeto.
Sobre o projeto de agricultura, Hubertus Prinz zu Hohenlohe-Langenburg destaca que uma possibilidade é o “recultivo da mina a céu aberto”, recorrendo a “solo artificial”.
“É possível fazer crescer algo mesmo debaixo dos painéis fotovoltaicos. Fui informado pela EDM que já fizeram pesquisas sobre este tipo de recultivação. Penso que é muito interessante porque cultivam plantas que tornam o solo mais fértil, e pode-se deixar os animais pastar. Estamos a fazer algo pela natureza, por um lado, e por outro, estamos a criar possibilidades agrícolas, que ainda não existem porque o solo é muito fino, existe muita erosão”.
Os responsáveis garantem ainda que não estão interessados na exploração mineira: “somos donos da terra, mas não detemos os recursos, que são detidos por Portugal. Não temos licença [de exploração mineira] e não vamos pedir uma. Esse não é o nosso negócio”.
“O dinheiro está no que se faz da terra. Como não somos uma empresa mineira, não é o nosso foco. Isso [exploração mineira] depende do Governo. Depende do investidor que tiverem e teríamos de concertar isso”, disse Hubertus Prinz zu Hohenlohe-Langenburg.
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