6 Fevereiro 2019      10:08

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Um milhão para municípios combaterem a vespa-asiática

Capoulas Santos apresentou esta semana a Campanha Nacional de Combate à Vespa velutina ou vespa-asiática, e que tem uma dotação de um milhão de euros, que vão ser geridos pelos municípios. O dinheiro chegará aos cofres das autarquias através de uma compensação em sede de IVA aos agricultores, em subsídio não reembolsável.

A distribuição será de 10 mil euros por cada município, com reforços onde se der "aumento inesperado de ocorrências”, e com um cálculo feito de 25 euros/ninho primário e de 100 euros/ninho definitivo/secundário.

A Vespa Asiática ou Velutina para além de ser uma ameaça à atividade dos apicultores por ser carnívora, é também um problema de saúde pública e pode ser um problema para quem com elas se cruze por acidente. São predadoras da abelha europeia e muito agressivas quando se sentem ameaçadas pelos humanos, podendo fazer perseguições superiores a uma centena de metros.

O primeiro registo da sua presença em Portugal data de setembro de 2011, em Viana do Castelo. Um ano depois eram nove os ninhos confirmados no Alto Minho, que subiram para cinquenta nos dois meses seguintes. No final de 2015 já se registavam 1215 vespeiros, espalhados por Braga e Vila Real. Desde então foram registados ninhos no Porto (já são pelo menos oito centenas), Coimbra, Aveiro, Guarda, Leiria, Santarém, Castelo Branco, Viseu, no Alentejo (sobretudo em Gavião, Portalegre) e no Algarve, no ano em que foi implementado um plano de acção para a vigilância e controlo da vespa velutina, que parece ser ineficaz.
 
Em 2017 os prejuízos na indústria do mel eram estimados em cerca de 5 milhões de euros e o Ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, defendeu então a necessidade em "reequacionar" o programa de combate à vespa asiática, identificada em 12 distritos no país, considerando a expansão da espécie de "impressionante" e que tem de ser travada. O governo criou entretanto uma comissão de acompanhamento da vespa asiática, para estudar uma nova estratégia de combate ao insecto e que resultou num novo plano de combate, apresentado no início deste ano. Contudo o plano considerava então que a espécie estava circunscrita ao norte do País.
 
Porém o problema persiste e já não é apenas dos apicultores, da saúde pública mas também uma ameaça aos ecossistemas. E "impossível" de erradicar ou exterminar, pelo menos no entender de Henrique Azevedo Pereira, Gestor de Ciência do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, que defende antes o controle do aparecimento de mais ninhos desta espécie invasora e a intervenção de especialistas na sua neutralização.
E onde se vêm vespas asiáticas há um ninho por perto, já que a espécie não se afasta mais de 3 a 4 quilómetros para procurar alimento. Para além do mel a vespa asiática também se alimenta de fruta e das abelhas, que são polinizadores e estão em decrescimento, segundo o mesmo especialista, e que 75% das culturas vegetais na Europa dependem da polinização das abelhas.
 
A sua propagação sugere maior controlo e especializado já que para além dos perigos que representa a tentativa de destruição de um ninho para pessoas não preparadas, essa destruição leva as rainhas a abandonarem o ninho e formar novos ninhos, pelo que terão que ser controladas com métodos eficazes que a Proteção Civil e aos bombeiros utilizam.
 
Para quem avista um ninho de vespa asiática, o procedimento adequado será o de dar nota do avistamento à plataforma online SOS Vespa do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, pelo 808 200 520, à Protecção Civil, que procurará intervir durante a noite, quando todas as vespas estão no ninho, ensacando-o e incinerando-o.
 
A operação é meticulosa e obriga à utilização de fatos especiais, já que o ferrão da vespa asiática chega a ter três centímetros e o insecto cospe um veneno corrosivo, como explica o especialista à MedioTejo.net, daí a necessidade de se usar óculos de proteção na operação. Segundo Henrique Azevedo Pereira, 20 a 25 picadas são suficientes para matar um adulto saudável e não alérgico.
 
O facto de as vespas asiáticas construírem os seus ninhos no alto de árvores altas é uma possível razão para o facto de a presença desta espécie invasora só ser detectada muito tempo depois de se ter instalado. Os ninhos são frequentemente descobertos no inverno, após a queda das folhas.
 
Imagem de capa de Damien Monteillard
 
 
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