19 Fevereiro 2019      10:05

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Teatro de Portalegre à venda no OLX

O velho teatro portalegrense do século XIX, um projeto do arquiteto Sousa Larcher e que foi impulsionado por Almeida Garrett, Inspetor-Geral dos Teatros, está à venda no OLX. A denúncia é da Renascença, numa peça assinada por Tiago Palma.

Construído em 1858, o teatro de Portalegre estreou a peça de Garret, "O Alfageme de Santarém" e funcionou como teatro até 1985, onde assistiu à última aparição de Amélia Rey Colaço na peça “El-Rei Sebastião”, de José Régio. Depois foi  bar e local de culto da IURD. O proprietário é privado e o edifício, que é o sexto teatro mais antigo do País, está para venda no site de vendas OLX para eventualmente vir a ser um hotel, por 350 mil euros.

À Renascença, o anunciante, Filipe Neves, explica que o edifício pertence há já duas gerações, e muitas décadas, à família da mulher e que considera que é melhor que o edifício venha a ter uma utilidade e um uso digno em vez de se degradar.

O edifício foi classificado em 2009 como Imóvel de Interesse Municipal mas a Direção Regional de Cultura do Alentejo declararia no mesmo ano que o espaço “não tem valor nacional", o que impossibilitou a sua proteção. Ainda em 2009 o director do IGESPAR, Elísio Summavielle (antigo Secretário de Estado da Cultura do Governo de José Sócrates e, hoje, presidente Centro Cultural de Belém), emitiu o despacho de encerramento, declarando-o, ao Portalegrense, “sem proteção legal”. Contudo e segundo a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) "houve uma informação, que provavelmente propôs a classificação de interesse municipal – aliás, que foi a proposta da Câmara [Municipal de Portalegre] – e o que o IGESPAR ou a DGPC fizeram foi o arquivamento do processo de classificação de âmbito nacional. A Câmara tem total autonomia para fazer a classificação de âmbito municipal – tem apenas de consultar a DGPC.”

Para a presidente da Câmara de Portalegre, Adelaide Teixeira, o valor do antigo Teatro Portalegrense "é inquestionável” mas a Câmara Municipal, que deliberou numa Assembleia Municipal em 2018, que o edifício tinha interesse municipal, parece nunca ter publicado o edital.

A Diretora Regional de Cultura do Alentejo, Paula Amendoeira, rejeita responsabilidades, dizendo que o processo é anterior à sua chegada à Direcção Regional, mas diz estar disponível para encontrar soluções com o município, para impedir que este venha a ser vendido para vir a ser um hotel.

A peça pode ser lida integralmente aqui.

 

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