A separação é um dos processos mais complicados que um ser humano, e qualquer ser vivo pode passar, ultrapassar, superar ou suportar.
Separar-se de alguém ou de algo que amamos, gostamos, admiramos ou temos como nosso é sempre um processo que pode tornar-se infinitamente penoso e muito difícil de ultrapassar.
Porque escrever sobre a separação esta semana? Porque recordar que há sempre alguém ou algo que temos de deixar partir ou de não contar mais com a sua presença física.
Lembrar alguém ou algo depois da separação, claro que o faremos sempre em todos os dias da nossa vida. Pode ser pelos motivos de saudade ou por outros motivos de dor e repulsa que não podemos controlar.
Mas a separação de que vos quero falar hoje é aquela física de lugares onde já fomos felizes e onde tivemos a presença de outros tantos amados. A separação de lugares que se tornam vazios quando saímos deles. Viver num lugar, numa casa, numa cidade e num país durante tanto tempo que o nosso cérebro começa a considerá-lo como a nossa casa. Separar e partir é deixar para trás e ficar ligado ao mesmo tempo. É nunca sair do mesmo lugar nem deixar a pessoa que deixamos, que nos deixou, ou o ser que amamos, sozinho.
Separar é dividir em dois, deixar de partilhar, embora a ligação nunca deixe de existir.
Imaginemos quão difícil foi a separação da mãe, do cordão umbilical do filho que acabou de nascer, imaginemos que dificuldades temos a separar de gestos e actos que aprendemos a fazer desde bebés e que vamos ter de abandonar. Que difícil é separar-nos de coisas, de lugares, de pessoas, durante toda a nossa vida.
Todas elas comportam uma dor enorme, tantas vezes insuportável, mas a maior de todas é aquela em que nos separamos da nossa vida por final e que já nem sentimos…
