Enquanto a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) alerta que mais de metade do lixo nacional — cerca de três milhões de toneladas por ano — ainda acaba enterrado, a gestora de resíduos do Baixo Alentejo contraria a tendência e aproxima-se da meta europeia de 10% fixada para 2030. Este resultado fixado em 2026 deve-se a uma estratégia iniciada em 2012 que prioriza a reciclagem e a reutilização. Atualmente, a empresa já encaminha 65% dos resíduos urbanos para reciclagem, superando o objetivo europeu de 63% traçado para o final da década.
Para garantir a continuidade do serviço nos seus oito concelhos, a Resialentejo está a construir um novo aterro sanitário, antecipando o esgotamento da infraestrutura atual, que tem apenas mais dois anos de vida útil. Devido às baixas taxas de deposição locais, este novo espaço terá uma longevidade alargada para as próximas gerações. Além disso, a empresa avalia a possibilidade legal, económica e ambiental de ceder uma pequena percentagem desta nova capacidade a outros Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos sobrecarregados, ajudando a mitigar a crise nacional.
O cenário no resto do país é crítico porque a maioria dos aterros construídos nos anos 2000 esgotou a sua capacidade em apenas 25 anos, após décadas de políticas que privilegiaram o enterramento do lixo em detrimento da valorização. Esta situação, agravada pela fraca adesão dos cidadãos à reciclagem, tem valido a Portugal várias penalizações por parte da União Europeia. A Resialentejo demonstra que é possível inverter este panorama através do investimento contínuo em infraestruturas modernas, na eficiência de processos e na sensibilização das comunidades para a redução da produção de resíduos.
