A Galp abandonou o projeto do Parque Eólico das Cachenas, que previa a instalação de 19 aerogeradores nos territórios de Vila Nova de Milfontes, Porto Covo, Sines e Santiago do Cacém, com uma capacidade total de 129,2 megawatts. O projeto destinava-se ao autoconsumo para abastecer de energia renovável a unidade de produção de hidrogénio verde GalpH2Park, em Sines.
A decisão surge após um processo marcado por forte oposição popular e institucional. A consulta pública recebeu cerca de 700 exposições, uma petição online angariou 5.595 assinaturas e a primeira sessão de esclarecimento, em janeiro de 2026, reuniu cerca de 100 pessoas. O projeto enfrentou a oposição da Câmara Municipal de Odemira, da Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes, da Rota Vicentina, da Associação Casas Brancas, do Juntos pelo Sudoeste e de diversas associações ambientalistas, tendo sido ainda criado o grupo de trabalho “SOS Malhão” para mobilizar a contestação.
Do lado institucional, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) devolveu a proposta à Galp, exigindo justificação da localização e melhorias ao projeto. A associação ZERO emitiu parecer desfavorável, considerando que “não estão reunidas as condições para que este projeto seja aprovado”, face aos impactes sobre a Rede Natura 2000 e o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
A desistência cria um problema estratégico para a Galp. O GalpH2Park, com um eletrolisador de 100 MW — o maior da Europa —, deverá entrar em funcionamento no segundo semestre de 2026, e sem produção própria de energia renovável, a empresa terá de recorrer à rede elétrica, com impacto nos custos e nas credenciais “verdes” do hidrogénio produzido em Sines.
