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Alentejo Central

Novos nomes para escolas de Reguengos de Monsaraz vão amanhã a votos

Ao todo são 1300 alunos, pessoal docente e não docente que vão votar amanhã, no dia 7 de dezembro, as novas denominações para as escolas básicas n.º 1 e n.º 2 de Reguengos de Monsaraz, podendo escolher o nome da personalidade do concelho que pretendem para a sua escola.

O Município de Reguengos de Monsaraz propôs os nomes de Alberto Janes (1909-1971), António Gião (1906-1969), Joaquim Rojão (1846-1917), José Pires Gonçalves (1908-1984) e Manuel Augusto Mendes Papança (1818-1886), pretendendo através desta eleição incentivar a participação informada e ativa das crianças, que intervêm assim diretamente num assunto relevante para o seu estabelecimento de ensino.

Os alunos, o pessoal docente e o não docente de todas as escolas do primeiro ciclo do concelho e da Escola Básica n.º 1 vão escolher o nome para este estabelecimento de ensino. Para a nova denominação da Escola Básica n.º 2 apenas podem votar os alunos que estão matriculados nesta escola, assim como o pessoal docente e o não docente que está a exercer funções nesse estabelecimento de ensino.

As urnas de voto vão estar abertas entre as 8h e as 16h em cada uma das escolas. Os resultados da eleição terão de ser homologados em reunião de câmara e a proposta de alteração da denominação dos estabelecimentos de ensino será enviada à Direção Regional de Educação do Alentejo, acompanhada de um parecer emitido pelo Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de Reguengos de Monsaraz.

Os alunos, o pessoal docente e o não docente das escolas básicas nº1 e n.º 2 da cidade podem votar em Alberto Janes, que ficou conhecido pelas letras que escreveu para a fadista Amália Rodrigues, como por exemplo a do fado “Foi Deus”. Honesto e humilde, confessou mais tarde que “o que sou, se sou alguma coisa, devo-o, claro, à habilidade natural que tenho e à Amália: se não fosse esta nunca chegaria a ser conhecido no aspeto artístico”.

António Gião era engenheiro geofísico, foi professor em universidades na Noruega, Portugal, Itália e Irlanda, mas também no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos da América. Publicou mais de uma centena de memórias e artigos em várias línguas nas revistas científicas mais conceituadas da altura e organizou em 1963 uma reunião da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte sobre cosmologia, em Lisboa, com a participação de várias figuras mundiais da ciência.

Joaquim Rojão formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, exerceu o cargo de primeiro substituto do Juiz da Comarca de Reguengos de Monsaraz desde 1880 a 1817, foi Administrador do Concelho de Reguengos de Monsaraz entre 1870 e 1879 e deputado na legislatura de 1899-1900. Dedicou-se ao desenvolvimento da agricultura, tendo introduzido na região diversas novidades, como os primeiros adubos químicos, semeadores e lavouras a vapor, liderou a formação de uma sociedade de agricultores para combater a filoxera que ameaçava as vinhas, presidiu ao Conselho Federativo da primeira direção da Federação dos Sindicatos Agrícolas Portugueses e empenhou-se na realização de um objetivo dos reguenguenses, que foi a construção da ligação ferroviária entre Reguengos de Monsaraz e Évora.

José Pires Gonçalves foi médico com profundo conhecimento em doenças infeciosas, investigador da história de Monsaraz, tendo publicado em 1962 a sua obra maior, intitulada “Monsaraz e o seu termo”, e ainda dedicou a sua vida à arqueologia, revelando e estudando o património megalítico do concelho. Fundou em 1972 o Grupo de Amigos de Monsaraz, pertenceu à Academia Portuguesa de História, ao Instituto Português de Etnografia e ao Centro Camuno de Estudos Pré-históricos de Itália.

Manuel Augusto Mendes Papança foi Administrador do Concelho em 1846 e eleito para a Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz em 1851, logo após a transferência definitiva da sede de concelho, que era em Monsaraz. Durante duas décadas (com interregnos em 1866-1867 e em 1872-1875) na autarquia lançou uma campanha de beneficiação com calcetamento de ruas e largos e a construção de estradas e caminhos, do cemitério, do edifício dos Paços do Concelho, das escolas primárias com salas para ambos os sexos, do hospital e da Santa Casa da misericórdia. Em conjunto com outros indivíduos comprou terrenos à Casa de Bragança e dividiu-os em courelas, o que deu origem ao plantio de um milhão de cepas e ao desenvolvimento em larga escala da produção vinícola. No seu testamento deixou 14 contos para a construção da nova Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz.

 

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