A Galp anunciou esta segunda-feira, 26 de outubro, o cancelamento definitivo das negociações para a fusão dos seus negócios com a espanhola Moeve, deitando por terra a planeada reestruturação que previa transferir o controlo da refinaria de Sines para as mãos dos acionistas da congénere espanhola. Após vários meses de conversações bilaterais com a Mubadala Investment Company e o grupo Carlyle, as partes não conseguiram alcançar o entendimento comercial necessário para selar a parceria, apesar de reconhecerem o valor estratégico da aliança.
A operação, originalmente apresentada em janeiro, previa cindir as atividades em duas novas entidades: a RetailCo, destinada ao retalho de combustíveis e mobilidade com 3.500 postos de abastecimento repartidos em partes iguais (50/50), e a IndustrialCo, que agruparia a refinação, petroquímica e combustíveis ecológicos. Nesta última plataforma industrial, a petrolífera portuguesa ficaria com uma posição minoritária superior a 20%, o que significaria abdicar do controlo direto do complexo de Sines a favor do fundo soberano Mubadala (Emirados Árabes Unidos) e do fundo de private equity norte-americano Carlyle. Com o colapso do negócio, esta alteração estrutural fica sem efeito.
O projeto vinha a ser fortemente contestado pela Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Galp, que acusava a transação de colocar em risco a soberania energética de Portugal, a estabilidade laboral e a continuidade da infraestrutura nacional. Os representantes dos trabalhadores criticavam duramente o “silêncio do Governo” — liderado pelo Primeiro-Ministro e acompanhado pela Parpública, que detém 8,24% da petrolífera —, sublinhando que alienar Sines num contexto geopolítico marcado por conflitos internacionais e ataques a refinarias na Ucrânia, Rússia e Médio Oriente constituía um erro estratégico gravíssimo.
Em reação ao desfecho, a Galp assegurou que o fim do processo não compromete as suas operações correntes e reiterou total confiança no desenvolvimento autónomo das suas atividades.
A administração destacou a continuidade dos projetos de transição energética em curso em Sines, que incluem um plano de modernização de 650 milhões de euros focado em biocombustíveis avançados e hidrogénio verde, fortemente apoiado por 430 milhões de euros em financiamento bancário aprovado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI). Embora mantenha a porta aberta a futuras consolidações no setor, a administração esclarece que o fim deste negócio específico afasta a mudança de controlo imediata da refinaria, sem que isso condicione decisões estratégicas futuras sobre o ativo.
