Em 2024, o grupo Nabeiro alcançou um volume de negócios de 570 milhões de euros, valor que representa um crescimento de 14% em relação ao exercício anterior, divulgou, de acordo com o Diário de Notícias e a agência Lusa, o presidente executivo, Rui Miguel Nabeiro, que acrescentou ainda que a operação em Espanha registou o melhor desempenho “de sempre”. O negócio teve “um crescimento robusto”, destacando-se o país vizinho, onde, “de facto, foi o melhor ano de sempre”, sublinhou, no lançamento do café Amboim pela Delta The Coffee Experience, em Lisboa.
Uma das preocupações do grupo prende-se com o preço do café, que tem sofrido constantes subidas. De acordo com a Organização Mundial do Café (OMC), os preços nos mercados internacionais subiram 14,3% em fevereiro, comparativamente ao mês anterior, chegando a novos máximos históricos. Para o gestor, esta subida “é outra preocupação” para a empresa, que no ano passado teve de subir duas vezes o preço no consumidor. É, salientou, com “alguma preocupação que vemos a situação internacional do preço do café, podemos falar se é especulação, já ouvi muitas teorias, o que é facto é que há pouco café para comprar no mercado, e isso tem impactado os preços”. Ainda assim, “o consumo de café a nível global cresceu relativamente”, apontou Rui Miguel Nabeiro, podendo, por isso, esta evolução manter-se.
O responsável lembrou ainda que o café é somente uma das muitas matérias-primas com uma evolução em alta dos preços. “Vemos que todas as ‘commodities’, ouro incluído, têm sido um refúgio de investidores financeiros”, notou.
“Quero acreditar que o café não vai continuar a subir muito mais, mas há um ano dizia isto” e, “de repente, o café subiu 50% na origem” no espaço de um ano, sublinhou. Em relação ao valor que os consumidores vão ter de pagar, o gestor não quis adiantar estimativas. “Não falarei sobre o preço de retalho do produto. Esse é um preço que os retalhistas praticarão, não sei qual o preço a que o café irá chegar à bica”, afirmou.
De acordo com Rui Miguel Nabeiro, o grupo proprietário da Delta “trabalha sempre com seis a nove meses de stock”, o que faz com que a empresa esteja coberta até ao mês de junho. A partir daí, o cenário é ainda incerto. Neste momento, a OMC prevê que seja feita uma boa colheita no Vietname na época 2024/25. Caso esse cenário se concretize, a preocupação relativamente à falta de oferta poderá diminuir. A pressão sobre os preços poderá ainda ser aliviada pelas boas condições meteorológicas esperadas.
O gestor mostrou-se ainda preocupado com a incerteza política que se verifica em Portugal, revelando que olha para a situação atual “com alguma preocupação, no momento em que a Europa atravessa um momento de bastante incerteza, até na relação com os Estados Unidos”. Defendendo ainda que “a instabilidade não é muito amiga da economia”, considerou também que “uma situação como esta” era “tudo aquilo” de que o país não precisava.
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