27 Fevereiro 2019      09:19

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Exímios preconceitos

Na semana passada li um texto bastante elucidativo sobre questões semânticas, e não só, ligadas ao racismo. Nele, Isabel do Carmo interpreta a palavra racismo de modo similar à interpretação que lhe dei num texto que aqui publicado no ano transato.

O conceito de raça, aplicado aos humanos, traduz juízos de valor que tardam em ser abolidos, tanto das conversas informais como das mais formais. O refugio nas “legitimidades” culturais não possui qualquer sentido. Este perpetuar de preconceitos tão arreigados na nossa cultura, por mais que digam o contrário, começa a assumir proporções preocupantes.

Não podemos esquecer a efemeridade do tempo, o ontem não tem retorno e o amanhã já passou. Ficar a rebater passados sem encontrar soluções futuras e sem recorrer à História, dificulta a evolução dos conhecimentos. Só olhando para a frente é possível encarar estas situações e contribuir para que sejam eliminadas.

Enquanto praticarmos fechamentos conscientes, escondendo ou fugindo das realidades, mais não estamos a fazer senão contribuir para a guetização e segregação, através de palavras e de ações. Muitas batalhas estão ainda por travar.

O tempo vai passando, os acontecimentos repetem-se, enquanto a normalidade vai tomando conta das ações.

Procuremos legitimidades politicas alternativas onde o respeito pelas diferenças sejam a palavra de ordem. Defendendo que é nas mestiçagens e nas pluralidades que nos tornamos livres; o medo jamais tomará conta das nossas ações.

Já tenho idade suficiente para não temer certos comportamentos, nem ameaças de grupelhos fascizantes mais ou menos legais. Não é o PNR que me assusta, esses sabemos quem são e por onde andam; o que me preocupa são as infiltrações que começam a surgir nos mais variados setores da nossa sociedade. Estes à sombra de algumas legalidades permitidas, começam a crescer usufruindo de tempos de antena permitidos, contribuindo para uma alienação consentida e de fácil permeabilização junto de alguns setores da nossa população.

Também na Europa, esta onda de novos fascistas legitimados, começa a crescer e a arrastar algumas gentes sequiosas de mudanças pelas mais variadas razões; as mudanças são necessárias, os caminhos escolhidos é que são os errados. Com a aposta numa maior democratização da Europa, onde os cidadãos se possam fazer ouvir e onde o pluralismo cultural seja uma mais valia, estes fenómenos remanescentes terão os dias contados.

Se todas as injustiças levam, mais cedo ou mais tarde, a revoltas, e sendo estas imprevisíveis, as vitórias podem tardar a surgir, mas acabarão por vingar. Nas guerras não existem só armas letais, as ações e as palavras podem igualmente ser fatais.

Cabe-nos tomar conta dos nossos destinos e fazer das sociedades um projeto de mobilização igualitário e justo. No entanto, continuo a sonhar com a igualdade de direitos e oportunidades visando uma coabitação justa e digna.

Os debates continuam por fazer e a sua pertinência começa a assumir carater de urgência na tentativa de os desconstruir, não para negar a sua existência, mas para o encarar na sua diversidade histórica.

 

Imagem de capa do dailystar.co.uk

 

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