O Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, recebe nos dias 26 e 27 de setembro, às 21h30, o espetáculo «Origem», apresentado pelo Colectivo Cultura Alentejo. A peça conduz o público a um cenário futurista e distópico, marcado pelo controlo absoluto do Estado sobre as emoções humanas.
O enredo centra-se na figura de João Amado, personagem submetida a uma intervenção clínica que visa apagar todas as memórias associadas ao amor. Entre protocolos e máquinas, desfilam em palco momentos decisivos da sua vida: as lições transmitidas pelo pai, a primeira dança, a relação com o irmão e o nascimento da filha. Cada recordação é manipulada, mas algumas resistem, revelando uma dimensão humana e afetiva que nenhuma tecnologia consegue suprimir.
«Origem» coloca em confronto a rigidez de um sistema totalitário e a força persistente da memória, da família e do afeto. No coração do Alentejo, a peça afirma-se como uma reflexão sobre a herança imaterial que resiste à uniformização e ao apagamento, propondo ao espectador um diálogo entre a fragilidade do indivíduo e a resiliência das suas raízes.
