O projeto, que deverá estar concluído no segundo semestre deste ano, tem a assinatura do arquiteto Rui Marta Barbosa.
A primeira casa portuguesa impressa em 3D “nasceu” em fevereiro deste ano. Foi no Porto que foi criada, em menos de 18 horas, esta casa de tipologia T2, que marcou o início de uma nova realidade que se prevê que tenha vindo para ficar, uma vez que as habitações edificadas através de tecnologia são hoje uma das mais importantes soluções para os desafios e problemas na área do imobiliário, assinala o portal New in Town (NiT).
Em março, a empresa Litehaus lançou aos profissionais da área da arquitetura o desafio “Desenha a Primeira Casa 3D-Printed em Portugal”, um concurso com apenas uma exigência: que a moradia fosse modular, para que pudesse adaptar-se a vários terrenos. No instante em que leu o anúncio, percebendo que poderia estar perante a oportunidade de apostar num método de construção diferente daqueles utilizados pela empresa onde trabalha, o arquiteto Rui Marta Barbosa, de 28 anos, deu de imediato início aos primeiros esboços.
O profissional acabou por ganhar um prémio de cinco mil euros e, além disso, foi o escolhido para proceder ao desenvolvimento do novo empreendimento em 3D que está a ser construído na Comporta, nas proximidades de Melides, e que deverá estar concluído na segunda metade de 2024.
“Procurei aliar este método de construção à repetição modular, fácil de ajustar às várias necessidades dos futuros utilizadores e desafios criados pela envolvente”, refere Rui Marta Barbosa, citado pela NiT, acrescentando ainda que, durante o processo, procurou combinar elementos contemporâneos com a identidade arquitetónica típica de Melides, de forma a respeitar o contexto urbanístico.
Neste projeto, existem módulos de duas dimensões: com 25 metros quadrados, pensados para as salas, os quartos ou o escritório, e com 12,5 metros quadrados, destinados às áreas auxiliares, como as casas de banho ou o depósito.
Desta forma, torna-se simples variar entre apartamentos T1, T2 ou T3, uma vez que apenas é necessário ajustar a disposição e o número de divisões do programa para que tudo corresponda às características do terreno e às necessidades das famílias. Para isto, basta um simples passo: adicionar ou subtrair módulos à planta baixa.
A casa térrea é “inspirada nos tons quentes das praias e ruas da Comporta e de Melides”, acrescenta o responsável. A construção, materializada em betão impresso, foi pintada de branco, cor que conjuga com os tons da madeira, enquanto o pavimento é de betonilha amaciada.
O arquiteto incluiu também no seu projeto a proposta de um deck com piscina, com azulejos em tons de vermelho, que combinam com a fachada da casa. Existem também dois espaços cobertos, pensados para os convívios com a família ou os amigos.
O preço da moradia deverá rondar os 300 mil euros, embora os valores dos projetos possam variar, situando-se entre os 400 e os 700 mil euros, dependendo da tipologia escolhida, que pode ir de T1 a T4. Abaixo destes valores, estarão disponíveis as casas de apenas um piso.
No passado mês de fevereiro, a Litehaus fez saber que tinha o objetivo de utilizar a tecnologia para, em 20 horas, produzir até 45 metros quadrados de paredes, pretendendo também alcançar as 100 casas por ano. O plano passava por construir a primeira casa através de uma impressora 3D em Torres Vedras, mais concretamente em Portela da Villa.
A relação entre velocidade de construção e custo por metro quadrado apresenta-se como uma das principais vantagens destas casas modulares e impressas em 3D.
O que se pretende é construir habitações “70 por cento mais rápido e 20 por cento mais baratas”, enquanto se reduzem as emissões e se efetua um menor consumo de energia durante o fabrico.
“Outra mais-valia é o design, porque é possível ter construções mais interessantes do ponto de vista arquitetónico”, assinala a fundadora da empresa, Simi Launay, explicando que isto se deve à forma como são impressas as paredes.
“Queremos erguer residências que simbolizam a elegância e o minimalismo harmonizados com a beleza de Portugal”, completa.
O processo de criação da primeira casa começa pela utilização de tecnologias, como é o caso da inteligência artificial, para se poder renderizar a imagem. Na perspetiva da técnica, as bases para a impressão “são as mesmas para qualquer casa”, salienta, explicando que um terreno e uma base sólida para a obra são essenciais. De seguida, uma máquina de impressão 3D procede à impressão “quase instantânea” dos elementos.
As estruturas em 3D da empresa são, hoje em dia, construídas numa unidade fabril localizada em Valência, Espanha, e a estrutura modular é produzida no norte de Portugal.
Com a previsão de que a construção desta primeira casa 3D esteja concluída na segunda metade de 2024, a equipa já se encontra a trabalhar para identificar terrenos por todo o país e efetuar parcerias com proprietários de terrenos de dimensões que podem atingir os 100 hectares.
Fotografia de nit.pt
