A Coordenadora das Comissões de Utentes do Litoral Alentejano reuniu, no passado dia 10 de julho, com o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), de onde resultaram conclusões consideradas "muito preocupantes" relativamente ao estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nesta sub-região do Alentejo. A falta de médicos de família e a degradação de serviços essenciais estão entre os principais problemas denunciados.
Segundo dados apurados, cerca de 27.000 utentes não têm médico de família no Litoral Alentejano. O concelho de Odemira é um dos casos mais críticos, com mais de 13.000 utentes sem médico, dos quais quase 6.000 se concentram na freguesia de São Teotónio — o que representa mais de 70% da população da freguesia sem acompanhamento clínico regular. Também em Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, a situação é alarmante, com mais de 6.000 dos 11.000 utentes sem médico de família. Em Canal Caveira, a assistência médica limita-se a uma consulta mensal, o que a Comissão considera "desproteção total" da população local.
Outras críticas prendem-se com o atraso na conclusão do novo Centro de Saúde de Santiago do Cacém, e com o não cumprimento de uma Resolução da Assembleia da República de 2011 que previa a reabertura do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) 24 horas em Grândola. Também se aponta a existência de privatizações dentro da ULSLA, nomeadamente no Serviço de Imagiologia e nas Unidades de Saúde Familiar e Centros de Responsabilidade Integrados do Hospital do Litoral Alentejano (HLA). De acordo com os dados apresentados, mais de 20% dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG) não são cumpridos nas consultas e cirurgias do hospital.
Face a este diagnóstico, as Comissões de Utentes exigem medidas urgentes ao Governo e ao Ministério da Saúde, nomeadamente:
- Contratação de profissionais de saúde em diversas áreas;
- Fim das privatizações internas na ULSLA e reversão de serviços para gestão pública;
- Reversão da USF “Porto de Mar” para unidade de cuidados personalizados e suspensão de novas USF;
- Execução da dedicação exclusiva para profissionais de saúde;
- Criação de incentivos à fixação de profissionais na região;
- Construção de uma maternidade no HLA;
- Eliminação das taxas moderadoras.
As Comissões de Utentes reiteram que irão continuar a mobilizar-se e a lutar pela melhoria e reforço do Serviço Nacional de Saúde no Litoral Alentejano, exigindo uma resposta eficaz e imediata por parte das autoridades competentes.
Fotografia de jornaleconomico.sapo.pt
