25 Abril 2019      10:46

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Abril 4.0

Afirmar Abril não é mais do que estabelecer um conjunto de prioridades e fundamentos para a governação de um país, de uma região ou de um concelho, em que os valores da liberdade, da justiça e da solidariedade têm de estar acima de qualquer conjuntura. Neste desígnio, não há desenvolvimento sem liberdade, não há bem-estar social sem justiça, nem tão pouco sustentabilidade ambiental sem solidariedade.

Na crise de valores que hoje vivemos devemos recuperar e reinventar o espírito do 25 de Abril e dos intervenientes da luta contra a ditadura no nosso país. Quando assistimos a um fenómeno global de mobilização negativa e contra as instituições democráticas, lembrar o 25 de Abril como um extraordinário exemplo de mobilização pela positiva, para a construção de uma sociedade melhor, mais livre e sobretudo mais justa.

A transição para a democracia demonstrou-nos que valeu, extraordinariamente, a pena. A Escola pública, o Serviço Nacional de Saúde, o Poder Local democrático – três exemplos da arquitetura institucional democrática que continuam a ser os garantes de Abril, e também os desafios, nos nossos tempos.

Foi a revolução de Abril que abriu as portas à integração europeia e à transformação do país. O nosso território e as nossas instituições estão hoje mais fortes, desenvolvidas e respondem melhor aos vários desafios da coesão. Foi a coragem dos rostos de Abril que nos conduziu à adesão a um espaço de Paz e Liberdade, que tem influenciado sobremaneira a consolidação e o aperfeiçoamento da democracia no nosso país.

Tal como disse Schuman em relação à Europa, que “não se fará de uma só vez”, também o 25 de Abril e a Democracia em Portugal tratam-se de processos evolutivos. Há muito Abril por cumprir e há novo Abril por cumprir. Os novos desafios sociais, a igualdade de facto entre homens e mulheres, a resposta às alterações climáticas, a luta contra a corrupção, a equidade entre territórios e a economia digital. É este Abril 4.0 que está, agora, por cumprir.

Nestes novos desafios existem propostas políticas, no plano europeu, nacional e local, bastante diferentes e que deixam a possibilidade de escolha aos eleitores sobre os caminhos a seguir. Entre progresso e conservadorismo, entre Estado e mercado, entre livre circulação e protecionismo. São estas as principais decisões de quem está interessado e mobilizado para continuar a escolher, no plano democrático que Abril nos deixou. Votar nas eleições para o Parlamento Europeu, é, por isso, cumprir Abril e os seus novos desafios.

 

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