13 Outubro 2018      19:15

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711 anos de Sextas 13, Ignorância e Fanatismo

Foi a 13 de outubro de 1307, numa sexta-feira, que teve início, em França, a perseguição aos Templários, por ordem do rei de França, Filipe IV, “o Belo” e com a anuência e apoio do Papa Clemente V.

Depois de 188 anos em Jerusalém, a marcar a presença Cristã e a proteger os peregrinos, foram acusados de heresia pelo rei francês e foram perseguidos, torturados e mortos, passando as suas posses e bens para a coroa francesa e não sendo um “empecilho”na gestão política do Vaticano.

Os Templários tiveram origem no país que marcou o seu fim, na França, em 1119, quando Hugo de Payens, um fidalgo francês, decidiu proteger os peregrinos que iam a Jerusalém. Juntou oito cavaleiros e com o aval do rei Balduíno II de Jerusalém fez nascer a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão.

Sob o mote “Non nobis Domine, no nobis sed nomini Tuo da Gloriam” (“Não a nós, Senhor, não a nós, mas pela Glória de teu nome”), os que entravam para a a Ordem dos Templários tinham de fazer um voto de pobreza e castidade, entregando os seus bens e todo o dinheiro à organização.

Com estas doações, a Ordem conquistou um poder financeiro muito grande - concediam inclusive empréstimos aos reinos, entre eles o de França - além do grande prestígio associado, o que juntou em seu redor ainda mais devotos.

Este prestígio e poder, além da relação de dependência criada com pelo reino de França, granjeou também muitos inimigos aos Cavaleiros e Filipe IV, o Belo, após a concordância do Papa Clemente V, acusou a Ordem de crimes de heresia, imoralidade e sodomia, nenhuma destas acusações suportada por factos, e tendo conseguido algumas confissões à base da tortura.

Dado o poder conquistado, Filipe IV sabia que só a morte e o dizimar da Ordem podia fazer esquecer a sua influência e a única certeza que existe é que a coroa francesa devia muito dinheiro aos Templários e que ainda precisava de mais para custear a vida e excentricidade dos seus hábitos.

Assim, a 13 de outubro de 1307, começou a perseguição aos Templários e os seus bens foram confiscados pela Inquisição. Para o efeito, Filipe IV de França terá emitido um comunicado onde sugeria que o papa Clemente V concordava com a morte dos Templários. O Papa, para averiguar a situação terá enviado como emissários dois cardeais que voltaram ao Vaticano com uma proposta de negócio: a Igreja ficava com parte dos bens dos Templários e o rei podia escolher a forma de julgar os cavaleiros. O assunto ficou arrumado.

Nos relatos da época, é dado conta os Templários foram sujeitos às mais cruéis formas de tortura, inclusive serem queimados na fogueira, o que aconteceu ao Grão-mestre, Jacques de Molay que, perto da morte, terá dito “Intimo-os a comparecerem perante o Tribunal do Juiz de todos nós dentro de um ano para receberdes o seu julgamento e o justo castigo. Malditos! Malditos! Todos malditos até a décima terceira geração de suas raças.”

O que é certo é que os mandantes e responsáveis da perseguição e condenação dos Templários sofreram, num curto espaço de tempo, o peso destas palavras: quarenta dias depois da morte de Jacques de Molay, em 1314, o rei Filipe e o cavaleiro Guillaume de Nogaret receberam a notícia da morte do Papa Clemente V com uma infeção intestinal; o rei Filipe IV faleceu em novembro do mesmo ano quando caiu de um cavalo e, em dezembro, Gillaume de Nogaret faleceu também. Estes acontecimentos lançaram o pânico na Europa – com algumas conivências e interesses do Vaticano - e ajudou à construção do mito de que sexta-feira 13 é dia de azar.

Entre mitos, lendas, histórias e realidade, uma coisa é certa: naqueles dias, como agora, existe um combate entre o Conhecimento e a Ignorância, Ecletismo e Dogmatismo, Tolerância e Intolerância, Liberdade de Expressão e Censura, Luz e Escuridão.

O mundo vive uma época em que a distinção entre a verdade e a mentira é muito difícil de fazer; o falar sem saber, a ignorância e a intolerância alastram-se à velocidade da fibra ótica e de um telmóvel com acesso às redes socias e só o conhecimento e o saber as podem combater.

Assim como os Templários não morreram”-  e estiveram bem presentes em Portugal durante cerca de dois com grande influência na expansão marítima – o desejo de verdade e conhecimento também nunca morrerá e Fernando Pessoa, na sua autobiografia, deixou-o bem expresso “Ter sempre na memória o mártir Jacques De Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos: a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.”-  em 1307, como sempre.

 

Imagem de cdn.britannica.com

 

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