12 Junho 2015      15:27

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O CLÁUDIO SOUSA É MADE IN ALENTEJO

Nasceu  e cresceu em Évora. Gosta de praticar desporto em geral, futebol, jogging, BTT. A sua outra paixão é a escrita e a literatura. É especialista em Sistemas e Tecnologias de Informação, feito à custa de muito trabalho e estudo, dentro e fora das universidades. Diz que foi de certa maneira forçado a ser empresário, mas que não se arrepende. Falamos do Cláudio Sousa e da Growimpact - uma empresa que trabalha em sistemas de informação, na implementação e desenvolvimento de software de gestão.

 

Tribuna Alentejo: Cláudio, tornares-te empresário estava nos teus planos quando concluíste a universidade?

Cláudio Sousa: A ideia de me tornar empresário foi crescendo, talvez por necessidade, devido sobretudo a varáveis ambientais. Daí até à criação de uma empresa foi um instante. A criação da empresa foi um processo simples e rápido, com custos relativamente baixos. Todavia depois de iniciada a atividade, os impostos e a burocracia tornaram-se pesados.

Tribuna Alentejo: É pesada a carga? O que aliviaria?

Cláudio Sousa: Eu conheço as dificuldades de muitas pequenas e médias empresa devido à minha atividade. À medida que uma organização diminui em número de trabalhadores ou de volume de negócios, essas dificuldades acentuam-se, pois os custos de contexto não decrescem na mesma medida e o relacionamento com o Estado também não é simplificado. Todo o exercício contabilístico e declarações mantêm-se. Talvez uma discriminação no IRC ajudasse pequenas e microempresas, como é o meu caso.

Com uma taxa de desemprego tão elevada – sobretudo nos jovens –, deviam de ser criados mais mecanismos para promover esta via de autoemprego. Até porque muitas empresas de sucesso nascem de pequenos projetos individuais.

 

Tribuna Alentejo: Está visto que ser empresário não é encontrar uma vida fácil. No Alentejo é mais exigente ainda?

Cláudio Sousa: Somos uma região periférica com um mercado demasiado pequeno. As novas empresas não encontram mercado internamente e para sobreviver têm de começar a exportar. O problema é que antes de poderem exportar têm de ganhar experiência e dimensão, mas o mercado não proporciona esses meios, pois é exíguo e já está saturado. Além do mais o mercado europeu, que é o primeiro passo para a internacionalização, tem a contingência das línguas.

Mas ser empresário ou empreendedor é opcional e penso que depende da matéria de cada um. Não obstante circunstâncias externas podem tornar o empreendedorismo numa inevitabilidade. Penso que no futuro vão haver cada mais pessoas a criar o seu próprio emprego.

 

Tribuna Alentejo: E expectativa com o Alentejo? Fica-se por cá porque vale a pena?

Cláudio Sousa: Na minha opinião o Alentejo sofre dos mesmos males do resto do país, mas tenho as melhores expetativas para a região. As principais cidades do Alentejo têm a meu ver uma boa qualidade de vida, pouca poluição, baixa criminalidade, há tempo para se ir fazendo as coisas devagarinho. Até mesmo a demografia é uma vantagem num planeta com sete mil milhões.

Um mar de terras, de sol e agora de água. Temos produtos com muita qualidade com condições para serem massificados: vinhos, queijos… Por outro lado o turismo continua a crescer e penso que nascerão desta imensa disponibilidade novos paradigmas. Há ainda um longo caminho a percorrer, mas o Alentejo tem muito a ganhar num mundo global. É dar tempo ao alicerçar de novas ideias para a região.

 

Tribuna Alentejo: Queres apontar uma ideia para ela?

Cláudio Sousa: Penso que a regionalização seria boa para o Alentejo, pois é difícil gerir uma região tão complexa sem alguma autonomia e ficar refém de decisores que não conhecem as especificidades idiossincráticas de uma região tão diversa.

Agrada-me por exemplo a ideia do TGV e outros projetos que foram pensados para o Alentejo. O dinheiro (papel) vai-se e as obras ficam. Claro que todo o investimento tem de ser bem medido e o seu retorno julgado com rigor, mas há benefícios que são difíceis de calcular. Como exemplo temos o Alqueva que criou milhares de postos de trabalho durante e após a sua construção, somando a isto os milhões que se arrecadam em impostos. Ainda a procissão vai no adro e já é um sucesso em termos agrícolas, dinamizou o turismo, é uma importantíssima fonte de energia e de água. Até as espécies autóctones do montado beneficiam, ficou mais barato do que o BPN e é um legado para as gerações vindouras. Será que hoje os velhos do restelo ainda se oporiam a esta obra?

 

Tribuna Alentejo: O que queres dizer aos que têm uma ideia mas temem arriscar e empreender?

Cláudio Sousa: É necessário arriscar e sair da zona de conforto. O sucesso só é possível depois de se ultrapassarem muitos obstáculos. O empreendedorismo é um processo com risco, mas as dificuldades valorizam as vitórias.

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