23 Dezembro 2015      10:56

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A FANTÁSTICA FORMA COMO OS ESTUDOS ESTATÍSTICOS ENVIESADOS ME FAZEM RIR

"ECONOMICAMENTE FALANDO"

Na semana passada, a minha (pequena) crónica foi sobre a festa organizada na minha Escola, que conseguiu angariar mais de 100 kg de alimentos e praticamente 700 euros, que permitiram aconchegar o Natal a algumas pessoas (e também animais). Mas, quando comparado com os milhares que o negócio do Natal faz circular, como diria o outro, isto são apenas “peaners” (seja lá o que isso for ou como se escreve).

Não há propriamente unanimidade no que diz respeito àquilo que os portugueses pretendem gastar no Natal, visto existirem diversos estudos. 300 euros é a média que cada português vai gastar, segundo o Instituto Português de Administração e Marketing (que incluem compras para a consoada); entre 100 a 200 euros, segundo um estudo da Odisseias (neste caso apenas presentes de Natal). É neste “estudo” que me vou centrar.

Não tenho conhecimento total do estudo nem da metodologia que foi utilizada, pelo que posso estar a ser injusto na análise que vou fazer. Mas, em virtude do tipo de serviços que é oferecido pela entidade responsável pelo estudo, palpita-me que estamos a falar de um inquérito online.

Agora o leitor pergunta: mas qual é o problema? Nenhum, desde que isso não interfira nas respostas. A verdade é que, segundo esse estudo, cada português vai comprar, em média, 15 presentes, dos quais 8 vão ser comprados online.

Pois, e é destes resultados que eu duvido… Não acredito que os portugueses comprem metade dos seus presentes por esta via! Quer dizer que os respondentes estão a mentir? Não! Só que os respondentes não serão, na minha opinião, representativos da população portuguesa. Mesmo considerando que se está a falar de uma amostra de dimensão interessante (1.200 pessoas). Muito provavelmente serão representativos, isso sim, das pessoas que também compram produtos de Natal na Odisseias…

A estatística tem muito que se lhe diga. Terá sempre espaço para leituras diferentes e interpretações dúbias. Mas estas generalizações são muito abusivas. E, como Economista (lá está, defeito de profissão…), não consigo ver um estudo destes com o meu filtro a funcionar…

Já agora, uma nota muito importante: em momento algum quero pôr em causa a Odisseias, até porque já comprei vários produtos lá, nunca tive um único problema, e continuarei a comprar. Apenas acho que o estudo não deve ser divulgado como aquilo que os portugueses pensam comprar…

Para terminar, votos de Boas Festas para todos os leitores da Tribuna Alentejo em geral, e os meus leitores em particular (se os houver!).

 

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