9 Junho 2015      11:26

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(CA)BOOM TECNOLÓGICO

Boom, pode ser usado para designar uma alta repentina ou um desenvolvimento rápido de valores. Mas também a explosão de uma bomba impossível de ser contida, pois chega sem aviso prévio.

A minha crónica de hoje é sobre tecnologia, apps, as expectativas em torno do desenvolvimento deste mercado e sobre qual poderá ser o boom.

Sem dúvida que a tecnologia desempenha e irá desenvolver, cada vez mais, um papel fundamental no desenvolvimento das nossas sociedades e no seu crescimento económico.

Num mundo cada vez mais globalizado, em que “quase” tudo parece já estar inventado, os incrementos e as alterações que mais se avizinham serão provenientes da incorporação de tecnologia. Setores completos poderão ser totalmente revolucionados com a introdução de melhorias tecnológicas.

Falando em particular do mercado europeu das apps, antecipa-se um verdadeiro boom até 2018. De acordo com estimativas da Comissão Europeia espera-se que este mercado empregue 4.8 milhões de pessoas e contribua com 63 mil milhões de euros para a economia destes países.

Atualmente neste mercado (co)existem cerca de um milhão de developers, ao qual acresce cerca de outro milhão em cargos de marketing e suporte. No ano passado, foram gastos no espaço europeu um total de 6,1 mil milhões de euros em aplicações, o que representou 30% do total de gastos globais em apps.

Perante estes números e o crescimento dos utilizadores digitais é aceitável assumir o prenúncio deste proclamado boom.

O nosso país não foge à regra e estamos a tentar formar trabalhadores (ou reconverter jovens desempregados de outras áreas) com as competências necessárias para este mercado.

O Alentejo segue a tendência e já temos empresas a desenvolver apps a partir da nossa região ou para a nossa região.

O problema deste boom e que facilmente se pode tornar num caboom está no facto de cairmos no erro de “apps são sexys”, “tecnologia é que está a dar”. Se continuarmos a dar força a esta crença de que são estas ideias que têm futuro, que vencem concursos de empreendedorismo, que têm lugar garantido nas incubadoras e que encontram financiamento, teremos os nossos jovens todos a tentar desenvolver apps, ou a criar algum tipo de plataforma tecnológica.

E o resto? A União Europeia é uma realidade, Portugal é outra assim como Lisboa é uma coisa e o Alentejo outra. E digo isto sem nenhum sentido de inferioridade!

Volto a perguntar…e o resto? Por exemplo os 180 milhões de euros de investimento provenientes dos milhares de jovens agricultores que se instalaram no Alentejo no anterior quadro comunitário. Não são sexys?

Fileiras emergentes como o figo da índia não poderão ser sexys? Um pequeno produtor de queijo que queira inovar o seu produto tradicional e para tal precise de um espaço de teste ou de incubação não é sexy? Aproveitar o nosso património natural, cultural e ambiental e fazer turismo de excelência não é sexy?

Um jargão diz que não se deve colocar todos os ovos no mesmo cesto…e a “cegueira” provocada pelo boom da tecnologia e apps pode levar a isso mesmo.

Fomentar e apoiar outras áreas, tão ou mais sexys também é preciso!

Há que ter cuidado com este boom...

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