A Universidade de Évora anunciou a sua intenção de concorrer ao aviso lançado pela Direção-Geral das Artes para a constituição da Orquestra Regional do Alentejo, dotado de um apoio de 1,62 milhões de euros por um período de dois anos. O anúncio foi feito pelo vice-reitor para a Cultura e Sociedade, António Sáez Delgado, à margem da sessão de esclarecimento realizada no Convento de São Bento de Cástris, em Évora, a 17 de julho. A instituição fundamenta a sua candidatura na condição de única universidade pública do Alentejo com formação em música, através da Escola de Artes, e na experiência acumulada que lhe confere, nas palavras do vice-reitor, legitimidade para liderar o projecto “por inerência, por conhecimento e por tradição”.
A candidatura que a Universidade de Évora pretende construir tem uma ambição declaradamente regional e transversal: envolver todos ou quase todos os 47 municípios alentejanos numa estrutura cultural comum, sem que esta fique associada a qualquer sub-região, entidade ou personalidade em particular. “Queremos que seja a Orquestra do Alentejo para o Alentejo”, sublinhou Sáez Delgado, revelando que vários municípios já manifestaram interesse em integrar a candidatura. A Évora_27, associação gestora da candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura 2027, também se pronunciou favoravelmente, desafiando os municípios alentejanos a unirem-se em torno do projecto como legado cultural duradouro da distinção europeia.
A principal preocupação da universidade reside no calendário: a candidatura tem de ser entregue até 9 de setembro, mas o período disponível coincide em grande parte com o mês de agosto, tornando praticamente impossível conduzir com a celeridade necessária as negociações e acordos institucionais que um projecto desta envergadura exige. Sáez Delgado revelou ter solicitado à tutela o prolongamento do prazo, considerando-o insuficiente para construir a arquitectura de consenso que o projecto ambiciona. O Alentejo é a única região do país sem uma orquestra regional de referência, e a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, presente na sessão, reconheceu que a futura estrutura virá colmatar uma lacuna histórica no panorama cultural da região, criando também emprego qualificado num território que tem lutado com o despovoamento e a saída de talento.
