17 Agosto 2019      10:24

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Um País Sem Energia 

Os últimos tempos são muito claros, um País a perder energia a olhos vistos. Esta greve dos condutores de transportes de mercadorias perigosas é bem a evidência disso mesmo.

Nesta época estival, apenas 2 temas (sem ser em simultâneo!) têm ocupado as notícias da Comunicação Social e alimentado a opinião pública: os incêndios que ocorreram sobretudo em julho e a greve dos condutores de transportes de mercadorias perigosas. Dois temas que se transformaram em verdadeiras novelas: estórias e mais estórias; protagonistas que sobrepõem; amores e desamores; traições e traiçoeiros; e outros que apenas servem “para encher chouriços”.

O povo anestesiado vai participando nesta novela com a sensação de serem verdadeiros figurantes. 

A política transformada em espectáculo, nada acrescenta para resolver verdadeiramente os problemas das pessoas. O que importa é ser protagonista de primeira linha e saber qual o melhor horário para se participar nos telejornais nacionais. Uma política populista gulosamente saboreada por este Governo.

E o que resta? Nada. Uma passividade agonizante. Sobre aquilo que interessa nada se fala.

Sobre a situação caótica que se vive no sistema nacional de saúde, pouco se diz. Hospitais com maternidades encerradas, falta de médicos por todo lado, equipamentos de saúde a rebentar pelas costuras e sem investimentos há muitos anos, pouco ou nada interessa!

Sobre se está tudo a postos para que o ano letivo arranque dentro da normalidade, também pouco ou nada se sabe. Será que este ano vamos ter todas as escolas a arrancar com o pessoal necessário? Será que vai haver uma retoma no investimento da escola pública? 

Como é que vão estar a funcionar os decrépitos transportes públicos quando as pessoas retornarem ao trabalho?

Estas são apenas algumas das questões que devem ser colocadas. Matérias como a falta de resposta nos equipamentos sociais, falta de investimento na nossa rodovia e ferrovia, a diminuição dos acidentes rodoviários e respetivas vítimas, melhoria do sistema de justiça, eficácia dos serviços públicos, são matérias que deveriam estar a ser discutidas.

Na verdade andamos a respirar o oxigénio produzido pelo Turismo, esquecemos que o país deve melhorar a sua capacidade produtiva e de aumentar os seus níveis de produtividade. Para onde deve caminhar a nossa indústria, a inovação, a tecnologia? Que agricultura e pescas queremos para o nosso País? Que ordenamento e sustentabilidade ambiental devemos assegurar? Que soluções para os territórios de baixa densidade e zonas interiores do País? Que coesão pretendemos?

Enfim, à vista dos “grandes” problemas da atualidade, estas são “pequenas” chatices que talvez nos devamos preocupar.

Alguns usam e abusam do espaço mediático para obter resultados eleitorais. Outros, nem isso!

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