A Polícia Judiciária, através da sua Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, apreendeu 421 quilos de cocaína na tarde de sexta-feira, 7 de agosto, ao largo de Sines, numa operação conjunta que envolveu também a Marinha, a Força Aérea e a Autoridade Marítima Nacional. Uma lancha suspeita foi detectada a cerca de 60 milhas náuticas da costa alentejana e interceptada com recurso a meios navais e aéreos do Sistema de Forças, tendo os seus ocupantes, durante a fuga, lançado ao mar um conjunto de fardos que as autoridades recuperaram e que totalizavam 421,400 quilogramas de cocaína. Não há detidos a reportar na operação, e as investigações prosseguem.
A apreensão é a segunda de grande dimensão nas águas alentejanas em menos de duas semanas. No final de julho e início de agosto, a Polícia Marítima de Setúbal e de Sines, com apoio de fuzileiros da Marinha, recolheu ao longo da costa entre a Península de Tróia e Sines mais de 2,1 toneladas de cocaína em fardos lançados ao mar durante uma perseguição a outra lancha ao largo do Cabo Espichel — operação que resultou ainda na apreensão adicional de 2,6 toneladas e na detenção de quatro suspeitos. Somadas as três operações, as águas ao largo do litoral alentejano e sadino foram palco, em menos de duas semanas, de apreensões que totalizam quase cinco toneladas de cocaína.
O padrão operacional é recorrente e bem conhecido pelas autoridades: lanchas de alta velocidade provenientes de navios-mãe em alto mar tentam fazer chegar carregamentos de cocaína a pontos remotos da costa atlântica europeia, lançando a droga ao mar quando intercepadas para dificultar a apreensão e evitar a detenção dos tripulantes. Portugal, com mais de 1.800 quilómetros de costa continental e uma posição geográfica de charneira na entrada do Atlântico Norte, é há anos um dos principais pontos de entrada da droga sul-americana destinada ao mercado europeu — e o litoral entre Sines e Setúbal, longo e parcialmente despovoado, tem sido identificado como uma das zonas preferenciais para estas tentativas. A resposta das autoridades com operações conjuntas de crescente coordenação é um sinal de reforço da vigilância desta faixa costeira, mas cada fardo recuperado nas praias ou nas águas alentejanas sublinha que a dimensão do desafio está longe de estar resolvida.
