O sítio arqueológico do Outeiro do Circo, localizado no concelho de Beja, entre Beringel e Mombeja, voltou a receber escavações no âmbito de um investimento de 50 mil euros financiado pela autarquia local. Este projeto, com uma duração prevista de quatro anos, começou a sua campanha de campo no dia 17 de agosto de 2026 e estenderá os trabalhos desta fase até 11 de setembro. Considerado o maior investimento de sempre realizado neste povoado da Idade do Bronze Final, o plano tem como meta final a preservação do espaço e a sua abertura ao público para visitas turísticas e culturais até 2029.
A atual intervenção é coordenada por Nelson J. Almeida, arqueólogo e docente da Universidade de Évora, que lidera os trabalhos numa área de 53 metros quadrados. O principal propósito desta fase é colocar a descoberto e estudar um segmento da muralha defensiva com cerca de 3.000 anos, percebendo como esta estrutura comunicava com as restantes habitações do entorno. Este povoado fortificado estende-se por cerca de 17 hectares e é apontado como um dos mais relevantes centros de poder da Península Ibérica antes da consolidação urbana de Beja.
Até à conclusão do projeto estão ainda agendados levantamentos geofísicos e a avaliação arqueológica de zonas próximas daquela que poderá ter sido a segunda entrada do complexo. Além da vertente puramente científica e laboratorial, o projeto destaca-se pela forte aposta na educação patrimonial e na envolvência comunitária. Estão previstas várias atividades abertas às populações locais e a visitantes nacionais e internacionais, existindo já a possibilidade de o público acompanhar as escavações ao vivo, de segunda a sexta-feira, no período da manhã.
As escavações no Outeiro do Circo encontravam-se interrompidas desde 2021. Essa paragem foi necessária para que os especialistas pudessem analisar detalhadamente cerca de 30 mil peças e artefactos recolhidos nas campanhas anteriores. Embora a equipa de campo atual seja nova, os antigos coordenadores mantêm-se ligados aos estudos científicos, assegurando a continuidade de um trabalho de investigação e divulgação que soma já 18 anos. Conhecido desde o século XVIII e alvo das primeiras sondagens científicas em 1977, este importante património alentejano conta nesta nova etapa com o apoio de entidades como o Museu Rainha Dona Leonor, a cooperativa O Legado da Terra e a União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja.
