13 Abril 2018      11:27

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Março em R4, com os "Eat-Inerários Slow Alentejo"

“À Descoberta do Medronho… e de algo mais” & “Rota dos Mármores® - VIII Passeio de Primavera em R4”

Março, com uma jornada dupla, deu início à temporada de 2018 dos "Eat-inerários Slow @ Alentejo", que irá levar muitos aventureiros a (re)descobrir mais um pouco de um Alentejo (e “Além-Tejo”) diferente, menos conhecido…

Castro Verde, 11 de Março, 09:00 – iniciava-se a primeira etapa marçalina dos "Eat-inerários Slow @ Alentejo", a “À Descoberta do Medronho… e de algo mais - jornada por aldeias alentejanas inesperadamente singulares”, à qual compareceram os bravos convivas que ousaram enfrentar o “Félix”. Após matinal café, a caravana seguiu por estrada municipal para uma paragem na inesperada aldeia comunitária de Aivados, para uma recepção pelo presidente da Associação do Povo de Aivados e visita guiada ao seu pólo do Museu da Ruralidade, onde uma pormenorizada explicação sobre a singularidade desta povoação (pelo menos desde 1512, segundo nos informou o coordenador do Museu da Ruralidade) surpreendeu e cativou os convivas, que terminou com uma foto de grupo e um breve convívio no bar da associação; seguidamente, a caravana dirigiu-se a Luzianes-Gare, onde chegou a tempo de um saboroso e convivial almoço em popular espaço tradicional, que, uma vez mais, e fazendo jus à campanha “Menu de Mudanças – Coma Alimentos Locais” do Slow Food, centrou-se em regionais sabores (e.g. cozido de grão), com animação a cargo de “artistas” locais (dirigidos por um condutor de R4) e algum medronho…

Após fotografia de grupo, com todos os presentes, a caravana fez-se à estrada para uma visita a Luzianes-Gare, viagem que comportou breve paragem numa tradicional “venda com taberna”, para convívio com alguns dos seus frequentes fregueses, os quais receberam a comitiva com “décimas” e… medronho! Chegada a Luzianes, houve singela recepção na Junta de Freguesia a cargo da sua presidente e do seu ex-presidente, que incluiu prova de medronho envelhecido, visita a uma “destila”, onde foi possível conhecer o processo de destilação tradicional e saborear medronho recém-produzido (graças ao “garrocho” que circulou de mão em mão), acolitado por alguns doces, e paragem na sua esquecida, mas fundamental, estação ferroviária, ocasião para recordar os seis anos de luta da população contra a extinção dos comboios regionais nesta linha.

O epílogo desta jornada decorreu no surpreendente Bataclan, onde o anfitrião proporcionou aos convivas um “short workshop” sobre preparação da gulosa “melosa”, com ampla degustação, animado convívio e café final num estabelecimento local…

Concluído o passeio “À Descoberta do Medronho… e de algo mais”, que deu a (re)conhecer mais um pouco de um outro Alentejo (e.g. aldeia comunitária de Aivados, Luzianes e medronho), importa agradecer aos convivas presentes que tornaram possível e animaram a jornada - destaque para o casal Dinis (cuja R4F terá percorrido mais de 800 km!) - e aos anfitriões que nos apoiaram e acolheram: Associação do Povo de Aivados (Carlos Mendinho), Câmara Municipal de Castro Verde (Miguel Rego), Junta de Freguesia de Luzianes-Gare (Teresa Bernardino), Taberna das Taliscas, José Valério, Bataclan/Paulo Dias e… Hermenegildo!

Estremoz, 24 de Março, 09:00 – iniciava-se a segunda etapa marçalina dos "Eat-inerários Slow @ Alentejo", a “Rota dos Mármores® - VIII Passeio de Primavera em R4”, que congregou os afoitos convivas que decidiram enfrentar o “Hugo”. Com estacionamento reservado no central Rossio Marquês de Pombal, a comitiva visitou demoradamente o imperdível mercado semanal, entre produtos alimentares, antiguidades e quejandos, provou (e comprou) queijo alentejano, conheceu o atelier das Irmãs Flores, onde pôde assistir in loco à produção dos insignes “Bonecos de Estremoz” (património cultural imaterial da humanidade; UNESCO, Dezembro 2017), e presenteou os transeuntes com uma actuação musical e etnográfica levada a cabo por convivas chamusquenses, que cativou e animou a multidão; seguidamente, e em caravana ruidosa, atravessou-se Borba, onde se visitou uma pedreira de mármores, e Vila Viçosa, onde se visitou uma unidade transformadora de rochas ornamentais (vulgo serração de mármores), tendo a manhã terminado na Mina do Bugalho, com sápido e animado almoço em popular espaço associativo, que, uma vez mais, e no âmbito da campanha “Menu de Mudanças – Coma Alimentos Locais” do Slow Food, baseou-se em regionais sabores (e.g. sopa de cação), cuja sobremesa terminou com a actuação dos já citados animadores chamusquenses, para gáudio da população local presente…

De seguida, e já atrasada, a caravana regressou à estrada e tomou a direcção de Alandroal, onde estacionou em espaço nobre (junto às muralhas desta vila) para uma visita guiada a algum do seu património: Castelo, Igreja Matriz (e a provável pedra tumular do cronista Fernão Lopes), torre de menagem (uma deslumbrante vista) e Fonte das Bicas (para jogar uma partida de alquerque), visita que culminou com compra, em pastelaria local de referência, de inusitados doces (e.g. Pêro Rodrigues, delícia de bolota, pastel de chícharo).

A jornada prosseguiu com visita à singular Herdade dos Outeiros Altos (que já visitáramos na edição de 2015 da “Rota dos Mármores®”), onde, após pormenorizada introdução a este produtor, ao modo de produção biológico/natural e ao vinho de talha, a comitiva foi presenteada com a degustação de vinho e sabores aqui produzidos, em ambiente de franco convívio - petisco de fim de tarde que encerrou o passeio…

Terminado o passeio “Rota dos Mármores® - VIII Passeio de Primavera em R4”, que deu a (re)conhecer um pouco mais deste outro Alentejo (e.g. mercado semanal e “Bonecos de Estremoz”, indústria dos mármores, Alandroal), são devidos agradecimentos aos convivas presentes que tornaram possível e animaram a jornada - destaque para o incontornável Gang da Chamusca (e para os animadores Álvaro, Mário e Rúben) - e aos anfitriões que nos apoiaram e acolheram: Câmara Municipal de Estremoz, Borqueijos (Joaquim Proença), Irmãs Flores, Plácido José Simões (Jorge Simões), Associação Cultural e Desportiva da Mina do Bugalho (Gertrudes Silva), Câmara Municipal de Alandroal (Célia Matos), Pastelaria Landroal e… Herdade dos Outeiros Altos (Fernanda e Jorge)!

E, iniciada a temporada de 2018 dos “Eat-inerários Slow @ Alentejo”, muito mais haverá para descobrir e desfrutar em modo slow travel, em R4, noutro clássico ou… à boleia: um outro Alentejo, genuíno (terroir, food & slowness), amiúde afastado das rotas habituais (e.g. estradas secundárias, espaços rurais menos conhecidos, recantos inesperados, sabores autênticos, experiências singulares), sempre em interacção com as comunidades locais e contribuindo para a promoção dos veículos clássicos, importantes para uma vida mais calma, menos superficial, mais slow…

Texto: Victor Lamberto   | Fotografias: Luís Borrecho e Victor Lamberto

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