“QUEM É QUEM” a rubrica de entrevista aos cabeças de lista que concorrem pelos Círculos Eleitorais de Portalegre, Évora e Beja nas Legislativas 2015.
TRIBUNA ALENTEJO (TA) – Porque é que se candidata à Assembleia da República?
José Cameira (JC) – Candidato-me para oferecer uma alternativa à esquerda, recusada pelo PCP e pelo BE. Para tentar propor outro regime, outra nova república, outro 25 de abril.
TA – Que diferenças existem entre esta candidatura e as restantes?
JC – Esta candidatura de unidade da esquerda quis a unidade, procurou-a e propôs. A coligação AGIR-PTP/MAS pretende transformar esta democracia-fascisante por outra democracia participativa, começando pelas organizações em baixo, refletindo decisões no topo. Pretende questionar o euro e a presença na CE. Pôr em causa essa pretensa dívida soberana, colocando mesmo na mesa a rejeição da mesma.
TA – No seu entender, quais são os pontos fortes do Alentejo?
JC – As pessoas são de extrema qualidade pessoal. De grande bairrismo e amantes do Alentejo até morrer.
TA – E os fracos?
JC – Um certo baixar de braços perante a inevitabilidade da alternância do poder político. Confiança quase religiosa nas já tradicionais forças políticas representativas da região.
TA – Ainda se justifica utilizar os termos “esquerda” e “direita” em política?
JC – Podemos substituir esses termos por outros mais soft, por exemplo – esquerda: trabalhadores e pequenos empresários; direita: patrões, banqueiros, financeiros, agiotas e especuladores.
TA – Portugal virado para a Europa e para a União Europeia, ou não?
JC – De todo, não. Todos os anos já integrados na união europeia apenas trouxeram mais desemprego, emigração e falências das pequenas e médias empresas. Altíssimos índices de corrupção perda de soberania. Aniquilamento quase total do sector primário produtivo nacional (agricultura/pescas/industria).
TA – Regionalização: sim ou não?
JC – Sim. Descentralização de serviços, autonomia de procedimentos a nível local.
TA – Se pudesse fazer um só projeto pelo seu círculo eleitoral, qual seria?
JC – Nacionalização dos campos do Alentejo – aumento da produção dos bens e produtos agrícolas para autonomia alimentar do país, evitando a atual importação dos mesmos – análise casuística do que se pode plantar e semear em terrenos mais pobres – correta distribuição da água do Alqueva para os pontos atrás indicados. Cumpridos estes pressupostos, haveria menos desertificação humana e fixação da mesma em todos os povoados rurais do Alentejo.
TA – Como vê o Alentejo em 2020?
JC – Depende do então poder governativo. Se se mantiverem estas politicas na alternância do poder, prevejo facilmente mais desertificação e culturas agrícolas impróprias sem aproveitamento das reais possibilidades dos campos do Alentejo e aumento da especulação imobiliária dos mesmo sem proveito direto.

