Tribuna Alentejo
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Baixo Alentejo

Governo promete três novas automotoras Stadler FLIRT para Beja em 2027

A modernização da Linha do Alentejo vai entrar numa fase decisiva com um investimento global de 410 milhões de euros para renovar o troço de 63 quilómetros entre Casa Branca e Beja. A Infraestruturas de Portugal será a responsável pela intervenção de fundo, que inclui a eletrificação da via, a substituição integral dos carris e a instalação de novos sistemas de sinalização e telecomunicações. Com contratos previstos para começar em 2027 e pagamentos escalonados até 2033, o projeto conta com o cofinanciamento de fundos comunitários do Portugal 2030, Alentejo 2030, Programa Operacional Sustentável 2030 e do Fundo Ambiental — este último através de uma verba de 60 milhões de euros remanescente aprovada pelo Governo em abril deste ano.
A grande novidade para os passageiros será a introdução de três novas automotoras bimodo Stadler FLIRT, com arranque operacional previsto para o primeiro trimestre de 2027. O presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, confirmou a calendarização e garantiu que o município vai fiscalizar de perto o avanço das obras ferroviárias. Estes novos comboios têm a capacidade de circular tanto em troços eletrificados como em linhas sem catenária, conferindo uma flexibilidade crucial à operação regional. Quando toda a modernização estrutural estiver concluída, a velocidade máxima das composições de passageiros subirá para os 200 km/h (e 120 km/h nas mercadorias), reduzindo o tempo de viagem entre Beja e Casa Branca para menos de uma hora. Contudo, apesar do forte investimento, a linha manter-se-á em via única e não contemplará uma ligação direta ao Aeroporto de Beja.
Esta intervenção surge como uma resposta urgente a uma crise de mobilidade sem precedentes que atingiu o ponto de rotura em abril de 2026. Atualmente, a ligação a Casa Branca — o elo de ligação vital para os eixos de Évora e Lisboa — é assegurada por apenas três automotoras a diesel da série 450. Devido à obsolescência deste material circulante, as avarias crónicas têm ditado a supressão constante de comboios. Para mitigar as falhas, os passageiros são frequentemente transferidos para autocarros de substituição, uma alternativa rodoviária que chega a triplicar o tempo de viagem, provocando atrasos sistemáticos e a perda das ligações rápidas em Casa Branca. Este cenário de “abandono ferroviário” gerou uma forte onda de contestação social no Baixo Alentejo, com a população e associações de utentes a unirem-se em petições públicas para exigir dignidade nos transportes.
No plano político local, a estratégia da autarquia de Beja passa por exercer pressão contínua junto do Ministério das Infraestruturas para garantir que a região seja prioritária na distribuição do novo material circulante. Nuno Palma Ferro tem defendido a alocação imediata de, pelo menos, duas das novas automotoras da Stadler para estabilizar o serviço enquanto o calendário de eletrificação do troço avança. Para o executivo camarário, a reabilitação da Linha do Alentejo, a par da conclusão da autoestrada A26, é uma prioridade absoluta para o desenvolvimento regional e para a coesão territorial, sendo imperativo traduzir as promessas do Governo em soluções efetivas que ponham fim ao isolamento do distrito.

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