Os consumidores portugueses preferem manter uma almofada financeira de segurança mesmo quando têm dívidas ativas para liquidar, revelando uma forte resistência a mexer nas suas poupanças. De acordo com a edição de 2026 do European Consumer Payment Report (ECPR), elaborado pela empresa de gestão de crédito Intrum, cerca de 39% dos cidadãos nacionais admitem que teriam capacidade financeira para saldar a maior parte ou a totalidade dos seus débitos com o dinheiro guardado, mas optam por não o fazer para não perderem a estabilidade e a tranquilidade que essa reserva lhes garante.
Esta postura de forte precaução ganha especial destaque no Alentejo, onde 53% dos inquiridos recusam abdicar das poupanças para pagar o que devem. Em sentido inverso, o Algarve surge como uma das regiões onde menos se poupa com este propósito, fixando-se nos 35% e ultrapassando apenas a região Norte (34%) e as ilhas dos Açores e da Madeira (31%). A análise detalhada indica ainda que os homens valorizam mais este fundo de maneio (48%) do que as mulheres (29%), e que a geração dos “Baby Boomers” é a que mais protege o seu mealheiro, com 44% a preferir reter o dinheiro em carteira.
O documento detalha que a cultura de amealhar se consolidou de forma expressiva no país. Atualmente, 72% dos portugueses colocam dinheiro de parte todos os meses para prevenir imprevistos como o desemprego, traduzindo-se numa subida expressiva face aos 60% registados no ano anterior e superando os 66% da média europeia. O Alentejo lidera novamente o indicador de prevenção com 82% dos cidadãos a poupar mensalmente, seguido de perto pelo Algarve, com 75%. Para além disso, 65% dos portugueses assumem que privilegiam o ato de poupar mesmo que isso signifique fazer sacrifícios e abdicar de experiências e bens de que gostam.
Esta tendência coincide com um aumento generalizado da confiança das famílias face aos seus compromissos financeiros diários. Sete em cada dez portugueses sentem-se agora capazes de fazer frente a um gasto inesperado de 400 euros sem necessitarem de pedir um empréstimo, um progresso notável face aos 57% contabilizados no período homólogo. Esta segurança é mais expressiva entre o público masculino (79%) e em lares sem dependentes a cargo (74%). Em paralelo, 79% dos cidadãos acreditam que vão conseguir pagar todas as faturas mensais até ao final do mês, enquanto 80% garantem ter orçamento seguro para os bens essenciais do dia a dia, como alimentação e combustível.
Segundo Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum Portugal, os dados provam que os portugueses encaram as poupanças como uma ferramenta de proteção essencial para o futuro. O responsável salienta que o grande desafio atual passa por conseguir equilibrar a retenção desse capital de emergência com a liquidação pontual das obrigações contratuais, evitando assim que pequenos atrasos de pagamento escalem para problemas financeiros graves e situações de maior vulnerabilidade.
