Um despacho conjunto dos ministérios das Finanças, da Saúde e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social autorizou compromissos financeiros plurianuais no valor global de cerca de 13,8 milhões de euros para assegurar o funcionamento de 160 lugares da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados no Alentejo, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2026 e projecção até 2028. O documento abrange nove respostas distribuídas pelos distritos de Beja, Évora e Portalegre — incluindo unidades de cuidados paliativos e de saúde mental —, sendo Beja o distrito mais beneficiado, com 110 dos 160 lugares, seguido de Portalegre com 29 e Évora com 21. Trata-se de financiamento operacional, destinado a garantir os meios humanos e financeiros necessários ao funcionamento das estruturas, e não ao financiamento de obras.
O investimento no Alentejo insere-se num reforço mais amplo da rede a nível nacional, com a renovação de contratos até 2028 com 94 entidades integradas na RNCCI, correspondentes a 2.644 camas distribuídas pelas diversas tipologias da rede. Em paralelo, o Governo decidiu alargar as Equipas de Cuidados Continuados Integrados a todas as Unidades Locais de Saúde que queiram aderir voluntariamente ao modelo de cuidados domiciliários, depois de um projecto-piloto em cinco unidades ter permitido aumentar em 46,6% a média diária de utentes acompanhados, estimando-se que o alargamento nacional beneficie mais 1.835 doentes por dia no domicílio.
O reforço agora anunciado responde a uma necessidade estrutural particularmente premente no Alentejo, região com uma das mais elevadas proporções de população idosa do país e com uma dispersão territorial que torna o acesso a cuidados de saúde diferenciados um desafio permanente. Para inúmeras famílias alentejanas que cuidam de idosos dependentes ou de pessoas com doenças crónicas avançadas, as estruturas da RNCCI representam frequentemente a única alternativa a internamentos hospitalares prolongados ou à sobrecarga dos cuidadores informais. Os 160 lugares agora financiados constituem um alívio concreto para uma rede que, no Alentejo como no resto do país, tem registado durante anos listas de espera superiores à sua capacidade instalada.
