A sinistralidade ligada a incêndios rurais continua a preocupar as autoridades portuguesas. Entre 1 de janeiro e 31 de julho de 2025, a Guarda Nacional Republicana (GNR) contabilizou 2979 crimes de incêndio rural, procedendo à detenção de 36 pessoas em flagrante delito e à identificação de 525 suspeitos. Embora os números mais elevados se concentrem no Norte e Centro do país, o Alentejo mantém-se sob alerta máximo, dada a combinação de temperaturas extremas, ventos fortes e terrenos agrícolas vulneráveis.
Segundo os dados divulgados pela GNR, as detenções ocorreram maioritariamente nos distritos de Vila Real (8), Porto (7), Guarda (5), Braga (4) e Leiria (4). Apesar de o Alentejo não figurar entre as regiões com mais detenções, as autoridades sublinham que a extensão das áreas rurais e a presença de culturas cerealíferas e montados tornam o território particularmente sensível à propagação de fogos.
Fontes do Comando Territorial da GNR no Alentejo explicam que o reforço da vigilância é “permanente”, com recurso a equipas do SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente), brigadas de patrulhamento motorizado e sistemas de deteção aérea. “A prevenção é determinante para evitar cenários mais graves”, sublinha a corporação.
Integrado na Campanha Floresta Segura 2025, que decorre desde fevereiro, o trabalho preventivo da GNR já permitiu sinalizar 10.417 situações de incumprimento relativas à limpeza de terrenos e gestão de combustíveis. Este esforço inclui ações de sensibilização junto da população, fiscalização e investigação criminal, procurando reduzir comportamentos negligentes e reforçar a segurança das comunidades.
Paralelamente, têm sido promovidas ações educativas para esclarecer agricultores e proprietários sobre as obrigações legais em matéria de prevenção e sobre os riscos acrescidos em períodos de alerta amarelo e laranja.
O cenário é agravado pelas condições meteorológicas adversas. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem emitido sucessivos avisos de risco elevado e muito elevado para grande parte do país, incluindo vários concelhos alentejanos. A onda de calor prevista para agosto poderá intensificar a pressão sobre os meios de combate e vigilância.
Especialistas alertam que o padrão atual — temperaturas acima dos 40 graus, humidade reduzida e vento moderado a forte — aumenta significativamente a probabilidade de ignição e rápida propagação dos fogos.
Face a este contexto, a GNR reforça o apelo à responsabilidade individual: é proibido fazer queimadas, acender fogueiras, lançar foguetes ou circular com máquinas agrícolas sem os devidos sistemas de retenção de faúlhas em períodos de risco elevado. Em caso de fumo ou chamas, deve ser contactado o 112 de imediato.
