Tribuna Alentejo
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Alentejo Litoral

FESTIVAL DO MEDRONHO EM ODEMIRA DISTANTE DA DISPUTA COM O ALGARVE

Há uma aldeia simpática no interior de Odemira, onde decorre uma interessante feira dedicada a esse fruto curioso chamado medronho. Falamos da Aldeia de Sabóia, que distante da disputa que envolve Alentejo e Algarve a propósito do medronho, vai receber entre 12 e 15 de agosto a segunda edição do Festival do Medronho, enquadrado na Feira de Atividades Culturais e Económicas de Sabóia.

A particularidade do evento, para além dos artesão a trabalharem ao vivo, é a riqueza da gastronomia que ali se serve durante os 4 dias do evento e o destaque à fileira do Medronho, que vai muito para além das bebidas destiladas.

A DISPUTA DO MEDRONHO

A Associação dos Produtores de Aguardente de Medronho do Barlavento Algarvio (APAGARBE), com sede em Monchique, formalizou em 2015 o pedido de registo de Medronho do Algarve como IGP – Indicação Geográfica Protegida e incluiu então na proposta 8 freguesias dos concelhos alentejanos de Almodôvar, Odemira e Ourique.

O caso deu azo a protestos que mobilizaram os autarcas alentejanos contra a pretensão da APAGARBE.

Os Presidentes das Câmaras Municipais de Almodôvar, Odemira e Ourique acusaram na altura de “prepotente e abusiva” a tentativa da Associação dos Produtores de Aguardente de Medronho do Barlavento Algarvio de incluir o medronho produzido em oito freguesias destes concelhos de “Algarve”.

Em causa esteve o pedido de registo de Indicação Geográfica Protegida (IGP) da Associação dos Produtores de Aguardente de Medronho do Barlavento Algarvio junto da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), tendo sido publicado para discussão pública pelo Aviso n.º 891/2015, publicado no D.R. 2ª série, n.º18, de 27 de Janeiro de 2015. 

Os autarcas afirmaram na altura que este processo nunca foi apresentado aos produtores, associações e autarcas alentejanos, “numa área de interesse da sua identidade cultural, social e económica”, sendo que esta designação “Condiciona decisivamente o processo em curso de dinamização da produção de aguardente de medronho no Alentejo, atualmente em curso.

“O fruto criado no Alentejo tem características diferentes, a aguardente é produzida de forma diferente e o produto final tem outro sabor e grau de álcool" sustentaram.

 “Tendo esta bebida tradição no Algarve, mas muito mais no Alentejo” acusaram a associação de “garantir quantidade de fruto suficiente para a produção dos seus Associados”, ou seja, “os produtores do Alentejo tratam e colhem o fruto” e “os produtores do Algarve produzem a bebida”. 

O caso acabou por esmorecer com um recuo da APAGARBE, forçada a retirar as freguesias alentejanas da sua pretensão.

Imagem de capa do rouxinoldepomares

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