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Évora ganha novo centro de dança e casa para marionetas

O município de Évora irá criar o Centro Nacional de Dança Contemporânea Portuguesa, o Centro Interpretativo da Escola Polifónica da Sé de Évora e a Casa dos Bonecos, dedicada às marionetas, no âmbito do projeto Évora Capital Europeia da Cultura em 2027 (CEC2027).

Em declarações à agência Lusa, Carlos Pinto de Sá, presidente da autarquia, estimou que, “o mais tardar no primeiro semestre do próximo ano”, deve estar criada uma associação para “fazer toda a gestão da Capital Europeia da Cultura em 2027”, nomeação anunciada na passada quarta-feira.

Assim, as infraestruturas serão uma das áreas a entregar a essa associação. Questionado sobre o que poderá ficar para a cidade após 2027, uma vez que o “bid book” final da candidatura ainda só existe em inglês e não está disponível, o autarca apontou dois exemplos.

“Temos um projeto para criar um Centro Nacional de Dança [Contemporânea] aqui em Évora, que não existe no país”, e há “um conjunto de coreógrafos, de gente ligada à dança, que está muito empenhado neste projeto”, revelou.

Já a coordenadora da Equipa de Missão Évora 2027, Paula Mota Garcia, também destacou este projeto, que, a avançar, “vai ter uma relação muito forte a nível internacional e ressignificar o Alentejo também nesta área artística e dar um grande contributo ao país”.

“A música e o teatro têm as suas estruturas nacionais, tal como as artes visuais. A dança contemporânea está a exigir, e muito bem, este lugar”, disse, atribuindo a mentoria deste “grande projeto” a um conjunto de coreógrafos, que integra Vera Mantero, João dos Santos Martins e João Fiadeiro, entre outros.

Os Bonecos de Santo Aleixo, marionetas tradicionais do Alentejo, de varão, manipuladas por cima, e que parecem ter tido origem na aldeia que lhes deu o nome – um património que está à guarda do Centro Dramático de Évora (Cendrev) –, poderá ganhar uma “casa” com dignidade, graças a Évora CEC2027.

O diretor artístico do Cendrev, José Russo, relatou que os bonecos estão “guardados numa salinha” no Teatro Garcia de Resende, “em condições muito precárias”, e defendeu que é preciso “criar um espaço próprio para guardar todo o material” e tudo o que a companhia foi recolhendo “ao longo de 40 anos”, para “salvar este património do Alentejo”.

Carlos Pinto de Sá elegeu, precisamente, a Casa dos Bonecos como um dos projetos em destaque na execução do dossiê de Évora CEC2027.

“Tem a ver, essencialmente, com a valorização dos Bonecos de Santo Aleixo, que são uma expressão cultural muito forte da região, mas que têm muitas relações em termos europeus e em termos mundiais”, disse, indicando que, além disso, podem ser acolhidas outras marionetas, porque Évora tem “outros marionetistas de renome mundial, como Manuel Dias”.

A Escola de Música da Sé de Évora, um dos mais importantes centros europeus da polifonia renascentista que formou compositores que, posteriormente, difundiram as suas criações pela Europa e América do Sul, também não foi esquecida na candidatura, que prevê criar um centro interpretativo.

“No fundo é como é que vamos recuperar e tornar público os cerca de 80 livros desta escola do século XVI de Évora, tão importante a nível musical, e como é que estes textos e importantes composições se vão tornar, em 2027, acessíveis a todo o público”, disse Paula Mota Garcia.

Ainda ao nível de infraestruturas, como o Teatro Garcia de Resende e o Palácio de D. Manuel já requalificados, o renovado Salão Central Eborense deve abrir até fevereiro próximo e, em 2024, a câmara espera ter um estádio desportivo, para acolher também eventos culturais.

A outra aposta é a construção de um pavilhão multiusos, em princípio na zona das Portas de Avis, num investimento a rondar os 12 milhões de euros, que a câmara espera assegurar através de apoios comunitários e de outros fundos.

Recorde-se que o Évora dispõe de uma dotação financeira de 29 milhões de euros, e será CEC2027 juntamente com Liepaja, na Letónia.

 

Fotografia de mag.sapo.pt

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