A Câmara Municipal de Évora vai reabilitar o edifício dos antigos celeiros da EPAC – Empresa Pública de Abastecimento de Cereais, atualmente ocupado por três agentes culturais. O projeto, orçado em 2,5 milhões de euros e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), foi anunciado a 21 de julho de 2025 pelo presidente do município, Carlos Pinto de Sá.
O autarca explicou que a intervenção, planeada há vários anos e entretanto atualizada para responder a novas exigências legais, visa resolver problemas estruturais do edifício e permitir a ampliação do espaço destinado a atividades culturais. O concurso público simplificado já foi lançado e publicado no Diário da República, com valor base de 2,25 milhões de euros (sem IVA) e prazo de execução de 11 meses.
Com as obras, será possível acolher mais associações culturais, além das três atualmente instaladas: o Grupo Cantares de Évora, a associação PédeXumbo e a companhia Bruxa Teatro. Durante a empreitada, estas entidades funcionarão em espaços alternativos, regressando ao edifício após a conclusão dos trabalhos. A requalificação integra o pacote de 26 milhões de euros para valorização patrimonial no contexto de Évora como Capital Europeia da Cultura 2027, que inclui também intervenções no Rossio de São Brás, no Arquivo Fotográfico e no Convento dos Remédios.
Os antigos celeiros da EPAC têm um valor histórico e patrimonial significativo para Évora. Construídos no século XX, foram um polo estratégico para o armazenamento e distribuição de cereais no Alentejo, desempenhando um papel essencial nas políticas nacionais de abastecimento alimentar, especialmente durante o chamado “ciclo do trigo”. O seu encerramento resultou da reorganização do setor cerealífero nacional, mas o edifício permanece como testemunho do passado agrícola e económico da região.
Fotografia de alentejoilustrado.pt
