Tribuna Alentejo
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Educação

ESTE NATAL VÁ À LUA!

Amanhã é o grande dia, o dia de Natal, mas hoje é dia de grande azáfama familiar.

As ruas estão cheias de pessoas que se passeiam com sacos numa grande correria tentando salvaguardar que nenhum pormenor fique esquecido. Nada pode falhar! As crianças, essas, já suspiram pela hora em que, desenfreadamente, rasgam os papeis para saber se o Pai Natal lhes deu aquilo que durante um ano lhe pediram.

Para algumas, esta personagem é sempre bem-vinda. É aquele senhor, segundo o meu filho mais velho, de barbas branquinhas, já muito velhinho, de roupa muito quentinha e vermelha e com uns óculos à ponta do nariz que distribui as prendas na noite de Natal. Inevitáveis perguntas surgem agora deste ser que em contínua “fase dos porquês” tenta, de uma maneira assoberbante, perceber o mundo à sua volta: – “Mãe, como é que o Pai Natal chega a todas as casas do mundo só numa noite?”; “Mãe, como é que os meninos que não têm chaminé recebem prendas?”; “Mãe, como é que o Pai Natal, que é tão gordinho, cabe na nossa chaminé?”; “Mãe, como é que o Pai Natal tem fome para comer em todas as casas?”; “Mãe, como é que o Pai Natal não se engana a distribuir as prendas de tantos meninos?”; “Mãe, como é que o Pai Natal tem dinheiro para comprar tantas prendas?” Perguntas às quais confesso ter de ter muita imaginação para lhe responder.

Depois também me dá várias instruções para que, nesta noite, para ele, superexcitante, nada falte: – “Mãe, não nos podemos esquecer do leite e das bolachas para o Pai Natal!”; “Mãe, tens de ter as cenouras para pormos no quintal para as renas”; “Mãe, na noite de natal ninguém pode acender a lareira, se não o Pai Natal não consegue entrar!”

É claro que, como a maioria das crianças, também surge a inevitável vontade de conhecer o Pai Natal e aí, de uma forma meio traquinas, vem a tal questão: – “Mãe, nessa noite podemos ficar a dormir na sala para ver se vemos o Pai Natal chegar?”

Talvez nem todas as crianças vejam o Pai Natal desta forma. Este ano não sei se o meu filho mais novo “caiu de amores” por este senhor, já que foi ele que lhe levou a chupeta, a sua “pê”, o seu consolo. Acho que mesmo se nutrisse alguma simpatia pelo “Natai” – como lhe chama -, no dia em que este lhe tirou o seu bem mais precioso a sua imagem ficou um tanto ou quanto denegrida aos olhos desta criança.

Talvez nem todas as crianças acreditem no Pai Natal, muitas já questionam ser ele a dar as prendas de Natal. Muitos dizem que o Pai Natal é o pai ou a mãe, porque são eles que lhes compram as prendas.

Infelizmente também há crianças que já não acreditam, de todo, na existência do Pai Natal.

Muitas são as crianças que, por variadas razões, não têm sequer a oportunidade de acreditar no Pai Natal e na magia desta época festiva.

Acima de tudo acho que o que devemos transmitir às crianças é que o Natal é uma época em que devemos salvaguardar vários valores universais, como o respeito pelo próximo, a solidariedade, a empatia, entre tantos outros igualmente importantes.

Querer fazer os outros felizes devia ser um sentimento constante e sempre presente, a preocupação com o bem-estar dos que nos rodeiam devia fazer parte do nosso dia a dia.

As crianças sabem transmitir estes sentimentos de uma forma única e para ajudar o próximo não impõem limites, nem que tenham de ir até à lua…

Temos um filme que achamos que deve ser visto.

https://www.youtube.com/watch?v=wuz2ILq4UeA

 

Vanessa Chinelo, Professora e colaboradora na Sociedade do Bem

 

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